[Resenha] Kingdom Hearts III

Parece um sonho, mas depois de longos 13 anos de espera – já considero como o “Chinese Democracy dos games” -, finalmente foi lançado, em 29 de janeiro, Kingdom Hearts III, da Square-Enix em conjunto com a Disney Interactive.

Depois de 10 jogos lançados (excetuando as versões Final Mix, remasters e coletâneas), a trilogia – chamada de saga “Dark Seeker” – se encerra neste episódio, e conclui de forma nostálgica e satisfatória os arcos dos personagens principais – Sora, Riku, Kairi, Aqua, Ventus e Terra – e o vilão principal, Xehanort. Finalmente amarrou as pontas soltas e explicou muita coisa. Claro que a trama da saga é complexa pra caralho, mas o próprio KH3 te explica tudinho. Alguns fatos que aconteceram sem a presença de Sora foram finalmente revelados a ele – e, parte, também porque ele teve que reaprender algumas coisas, pois suas memórias foram apagadas, bem como seus poderes, que ele teve que começar do zero. Fora que também, na tela principal, tem a opção Memory Archive, onde você pode rever o resumo de toda a história até o início de KH3, divididos em 5 volumes com os títulos Departures, Memories, Twillight, Dawn e Darkness.

Quanto ao sistema, foram usados grande parte dos elementos dos principais jogos da franquia, como Commandos especiais – aqui você pode invocar alguns brinquedos da Disney, como montanha-russa, xícara de chá, carrossel e navio pirata – para causar dano a todos os inimigos na tela, além de ataques combinados com seus companheiros Donald e Goofy, além dos personagens convidados dos mundos, e ainda habilidades que cada Keyblade do Sora também fornece. Além disso, tem os Links que são os “Summons” dos jogos anteriores – Meow Wow (de Kingdom Hearts: Dream Drop Distance, que resenhei aqui), Simba (de O Rei Leão), Ralph (de Detona Ralph), Ariel (de A Pequena Sereia) e Stitch (de Lilo & Stitch). O Flowmotion, para se mover mais rápido pelo cenário e ajudar na batalha (mas ainda prefiro o de KH3D que é bem mais funcional) e Shotlock, que aqui deixou de ser um dano numa espécie de tiro em 1ª pessoa (de Kingdom Hearts: Birth by Sleep, que resenhei aqui) – que era chatíssimo – para ser uma espécie de teleporte para locais distantes. Aliás, a mobilidade do Sora pelos cenários está MUITO FODA, ele pode, inclusive, correr na vertical por paredes especiais (beijos, Homem-Aranha!), e a coisa só vai melhorando conforme ele vai aprendendo novas Abilities de movimentação ao subir de níveis.

Ataque combinado entre Sora e Goofy.


Tem uma série de novidades também, como o Gummiphone (sim!), permitindo ao Sora, além de se comunicar com seus amigos em outros mundos, tirar fotos – inclusive, rendeu lindas selfies -, que ainda conta, usando essa funcionalidade, a missão dos Lucky Emblems, símbolos do Mickey espelhados pelos mundos, e que fornece prêmios conforme a quantidade de fotos; Classic Kingdom, uns minigames retrô que você obtém também visitando os mundos do jogo e pode jogá-los a qualquer momento a partir do Menu; Cuisine, onde você pode – tanto do Menu como no restaurante Le Grand Bistro em Twillight Town – fazer sofisticadíssimos pratos com a ajuda do ratinho Remy (de Rattatouille), aqui chamado apenas de Little Chief, e, consumindo-as, fornece bônus exclusivos e limitados a Sora.

Me esqueci de falar dos mundos, então aqui vão: Olympus, de Hércules (esse parece que não pode faltar nunca né rs); Twillight Town; Toy Box, de Toy Story; Kingdom of Corona, de Enrolados; Monstropolis, de Monstros S.A.; Arendelle, de Frozen; 100 Acre Wood, de Ursinho Puff; San Fransokyo, de Operação Big Hero 6; The Caribbean, de Piratas do Caribe (sou contra o Johnny Depp, mas o mundo ficou legal). E os mundos finais não vou citar por motivos de spoilers. Mas que legal que usaram mundos da Pixar né? Adorei.

Vamos então ao que interessa:

O que eu gostei:
– O sistema tá muito show, e como já falei ali em cima, a movimentação de Sora pelo cenário está muito divertida, fora os recursos de causar dano nas batalhas que são muitos e quase sempre necessários devido ou ao grande número de oponentes ou ao alto HP deles, o que ajuda muito;
– As abillities estão bem bacanas, fornecendo múltiplos e interessantes recursos aos personagens nas batalhas;
– O sistema de equipamentos também está mais redondinho, e você consegue equipar inclusive duas ou mais armaduras ao mesmo tempo (eles vestem uma armadura em cima da outra? bom, não interessa, pois ficou ótimo), o que já acontecia com acessórios e itens, conforme vão subindo de nível, os personagens ganham mais slots para equipá-los;
– As batalhas estão muito divertidas e criativas. Tudo o que você precisa fazer e botões para apertar, e não só dar porrada para baixar o HP do chefão, foi pensado para diversificar o game, tornando KH3 diferente de qualquer Action RPG por aí. Meus chefes preferidos estão em Olympus, Toy Box e The Caribbean (se virem aí para saber de quais estou falando);
– Os Mogs, os carinhas que vendem itens pelos diferentes mundos, além da loja também são responsáveis pelas sínteses, usando itens que você coleta nas batalhas e baús, e assim adquire novos e exclusivos equipamentos, inclusive a Ultimate Key, a keyblade mais forte de Sora. O sistema de síntese está muito bacana, e os mogs ainda fornecem quests com o Gummiphone, onde você precisa fotografar o que ele pede para ele ter novas “ideias” e assim disponibilizar novos itens para “craftar”;
– A Gummiship está muito incrível neste jogo! Ficar personalizando ela com itens que você compra ou coleta, para aumentar seus atributos, deixando-a mais poderosa para exterminar seus adversários com maior facilidade, que estão no espaço entre os mundos, é muito divertido. Se lançassem um jogo “Kingdom Hearts: Gummiship“, só com esse minigame de KH3, eu compraria, sem pestanejar!
– Os cenários estão lindos e feitos com muito esmero! A parte do reino dos deuses em Olympus – com todas aquela arquitetura sofisticada com detalhes dourados -; os brinquedos daquela loja em Toy Box (inclusive tem easter eggs aqui, reparem bem); o gráfico cinematográfico usado em The Caribbean (“peraí, eu tô jogando um filme??”), além daquele mapa gigante e navio com melhorias por nível, está tudo muito show! Obrigada, Unreal, por existir!
– A trilha está linda (deixo abaixo algumas das minhas favoritas) e o sistema de efeitos de som também, utilizando o recurso, em alguns momentos, de áudio no próprio controle do PS4, o que ainda não tinha visto em outros games;


– Algumas partes são emocionantes. Duas das que mais mexeram comigo foi a parte do “Let it Go” da Elsa em Arendelle (que, dizem, tá fidedigna ao filme) e o desenrolar e desfecho da trama em San Fransokyo, que foi diferente da do filme;
– A trama, como já falei anteriormente, terminou de maneira satisfatória, e ela própria explica/relembra todos os acontecimentos desta complicada história com múltiplos recursos;
– O Donald falando “This might be a good spot to find some ingredients” (“Este deve ser um bom lugar para encontrar alguns ingredientes”) 😂😂😂
– A batalha dos um milhão de Heartless/Nobodies em certa altura do jogo. Eu não sei quantos inimigos são, um milhão é só um chute, mas supera, com certeza os mil heartless de Kingdom Hearts II.

O Pateta pistola é a coisa mais engraçada que você vai ver no jogo.

O que eu não gostei:
– Johnny Depp. Já não bastou a J.K. Rowling passar o pano pra ele ao confirmá-lo para o segundo filme de Animais Fantásticos, a Disney, que é toda conservadora e ligada nas polêmicas de seus artistas empregados (tanto que demitiram James Gunn da direção da Os Guardiões da Galáxia por tweets antigos dele), quando chegou a oportunidade para trocar a figura desse agressor de mulher, deixaram ele no jogo. AINDA BEM que o mundo de Piratas do Caribe ficou bem feito, o que me fez relevar o cara lá em alguns momentos;
– Eu sei que elogiei o sistema de KH3 antes, mas acho que o excesso de recursos dele tornam algumas coisas inúteis e desnecessárias, como invocar os Links, por exemplo, que não são mais fortes do que os comandos especiais e ainda precisam de MP para usá-los; o Flow, como também já falei antes, que ficou ruim em comparação aos games anteriores etc;
– É muito difícil platinar esse jogo. Exigem troféus muito difíceis, e por isso nem vou tentar;
– A maioria das animações, movimentações e física do jogo estão fantásticas, mas parece que não se empenharam muito em alguns casos, como uma ability do Hércules em que ele gira com uma rocha antes de arremessá-la nos inimigos (parece que foi feito com poucos frames), bem como a animação dos um milhão de Heartless/Nobodies, onde eles parecem estar em um desenho desanimado rs

Tirando isso, valeu a pena esperar o jogo por 13 longos anos. KH3 está fantástico, perfeito para fãs e marinheiros de primeira viagem. Um jogo necessário, divertido, importante e criativo. Estamos em fevereiro e, pra mim, ele já é GOTY (Game of the Year).

Minha tela de conclusão:


Título original: Kingdom Hearts III.
Ano de lançamento: 2019.
Empresa: Square-Enix.
Diretores: Tetsuya Nomura e Tai Yasue.
Escritores: Tetsuya Nomura e Masaru Oka.
Compositores: Yoko Shimomura, Takeharu Ishimoto e Tsuyoshi Sekito.
Nota do Gilga: 10.

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[Resenha] Assassin’s Creed Odyssey

Lançado em 5 de outubro de 2018, somente em dezembro consegui por as mãos nessa belezinha, e não é exagero quando dizem que Assassin’s Creed Odyssey é o melhor jogo da franquia, hein.

Confesso que eu tava com a expectativa um tanto quanto baixa, pois os vídeos de gameplay que vi – eu tava ansioso pelo lançamento do jogo – não fizeram jus ao game. Tinha cores berrantes demais (apesar de que sim, o Odyssey é muito mais colorido do que o Origins), o acabamento gráfico dos personagens humanos não estava tão realista, a animação também parecia deixar a desejar, mas jogando o jogo propriamente dito, era exatamente o contrário. Na verdade, a experiência com os gráficos de Odyssey, para mim, foi um pouco diferente, pois parece que eu via o acabamento gráfico conforme a impressão que eu fiquei dos gameplays pré-lançamento – meio esquisitão – e, conforme fui jogando, fui me acostumando (talvez?) ou quiçá passei a ENTENDER a escolha artística do jogo. Sim, Odyssey é MUITO parecido com seu antecessor (que resenhei aqui), mas ao mesmo tempo, tem muitas diferenças artísticas, o que o torna único.

Neste capítulo de “O Credo dos Assassinos”, você é descendente do lendário Leônidas (sim, o personagem de Gerard Butler em 300, filme que é notadamente uma das inspirações para o jogo), e dele você só tem uma lembrança, a lança quebrada do antigo rei de Esparta, que você pode usar como uma lâmina dos assassinos, durante suas aventuras por terras gregas realizando seus serviços de misthios (mercenário), enquanto se envolve nas reviravoltas da Guerra do Peloponeso, em 431 aC.. Desta vez, você pode escolher o sexo do protagonista: ou Alexios ou Kassandra, ambos são irmãos separados na infância. Menino, a história de vida deles tem taaanta treta! Fiquei até meio “perplécto” com tanto plot twist. Eu escolhi Alexios por motivos de, como o jogo deixa você escolher os rumos da trama – inclusive com quem você pode transar/se relacionar – que eu queria fazer um personagem como eu, homem cis gay, porém eu mais recusei mulheres do que transei com homens rs (inclusive rolou uma treta nessa semana por causa dessas escolhas). Mas meu próximo save vai ser com a Kassandra sapatona! 👍


Vamos ao que interessa:

O que eu gostei:
– Antes de mais nada, não quero apenas elogiar os gráficos – os cenários, principalmente, estão estonteantes! – mas sou fãzaço das animações dos personagens. A preocupação do pessoal da Ubisoft com os gestos e trejeitos durante as animações e diálogos foi grande e bem orquestrada;
– Falando em orquestra, a trilha sonora de Odyssey tá show e é mais memorável do que a de Origins. E o que são aqueles cânticos náuticos enquanto você navega com o Adrasteia? Fantásticos. Parabéns ao pessoal por essa pesquisa também. Seguem algumas trilhas que mais gostei:

-.A trilha que toca quando você sobe de nível ♥♥♥
– A trama é envolvente, divertida e emocionante (quase chorei num reencontro aí), cheia de reviravoltas e muito bem amarrada com eventos, locais e personagens históricos. Não sei de exatamente tudo o que se passou na Grécia Antiga naquela época, mas achei muito foda a pesquisa dos caras pra escrever e bolar o design da porra toda. Que fantástico é ter Sócrates (um personagem engraçado e que sempre consegue irritar Alexios/Kassandra com sua verborragia) e Heródoto (o primeiro historiador, por assim dizer) em seu navio, e cruzar com outros personagens da Guerra do Peloponeso, como Péricles, o Pai da Democracia, Alcibíades (ícone!), Lisandro, o general espartano etc, e vivendo na Grécia durante o auge do culto aos seus fabulosos mitos – e que templos e estátuas lindas! Tudo bem que tem alguns exageros – aquelas estátuas gigantescas maiores do que as “Maravilhas do Mundo Antigo” (dica: você encontra uma delas em Olímpia) – e também algumas licenças poéticas, como a cor da Liga de Delos (Atenas) ser azul pra ser um oposto ideal ao vermelho espartano (as cores dos dois exércitos eram até meio parecidas), mas foi pra visualmente facilitar a vida do jogador no meio da guerra, pra poder ver de longe um navio e saber de que lado ele está só pela cor das velas, mas enfim, tirando isso, muito bem bolado;
– O jogo tem muuuuuita coisa fazer. Além das diversas tarefas para completar em cada uma das inúmeras localizações, e das missões espalhadas por toda a Grécia – as normais, as diárias e as semanais, vejam só! – muito lugar pra explorar, tirar foto, participar de batalhas navais (que ficaram divertidas, nada comparado àquelas travadas de Origins que eu odiava fazer), skills pra destravar (aliás, tá muito “roubado” o assassino desse jogo, praticamente um semideus entre os mortais de tanta coisinha que ele é capaz de fazer), tanto do personagem quanto as dos equipamentos, tesouros para encontrar (ostrakas), arena (em Pefka), mercenários (lembram dos philakes em Origins?) literalmente infinitos pra caçar e assim subir no ranking dos mercenários e ganhar vantagens nas lojas, fora as DLCs, que são duas histórias: O Legado da Primeira Lâmina e O Destino de Atlântida, cada uma dividida em três partes;
– O lance dos líderes de nação e das batalhas de conquista de territórios foi uma boa sacada. Me lembra War;
– Cuidar do navio. Mudar aparência, adicionar o acrostólio (eu nem sabia que porra era isso, mas aprendi no jogo – viu como videogame é cultura? 😉), os tenentes (Bayek e Aya no seu navio é muito massa!), skins da tripulação, melhorar armas, casco, remadores etc, tudo isso é muito bom e dá um orgulhinho quando você tem o navio mais fodão dos mares da Grécia Antiga ♥
– As criaturas míticas e os animais lendários ♥
– O fundo do mar é estonteante de tão lindo! Além dos perigosíssimos tubarões, também podemos nadar com golfinhos e baleias (quando elas saltam ao lado do seu navio então é lindo), a flora e principalmente a fauna marinha está muito diversa, com águas-vivas fluorescentes, arraias, tartarugas, peixes coloridos, corais. A fauna terrestre também é show;
– Excelente nível de desafio: nem muito fácil e nem muito impossível;
– Só posso falar pelo Alexios, mas as falas dele são memoráveis, e a entonação do dublador (Michael Antonakos) é bem divertida, entre outros personagens. Dublagem aqui é 10/10;
– Aliás, tiveram a preocupação de escolher atores gregos para dublar os principais personagens e cantar alguns temas, a Ubisoft sempre se empenhando pra ser inclusiva. Tem diversas etnias, gêneros e sexualidades dentro do universo de Odyssey, acertando em cheio na representatividade.

THIS. IS. ODYSSEY!!


O que eu não gostei:
– Reclamações antigas, mas vamos lá: loadings demoradíssimos, inclusive entre in game e animação e vice-versa, e bugs pra dar com pau (inclusive o jogo TRAVA em vários momentos, forçando o jogador a fechar e abrir o aplicativo ou dá um erro e o jogo fecha sozinho). Dessa vez a Bugsoft caprichou, hein;
– Uma coisa que não atrapalha tanto o andamento do jogo mas que me irritou em alguns momentos: você tá falando com um NPC enquanto ele te dá uma quest, ou você já fez e tá recebendo a recompensa, então quando troca da animação para o in game, o NPC “esquece” que você tava falando com ele e se assusta ao te ver na frente dele, daí ele se afasta e, em alguns casos, até sai correndo de medo. Isso aí o pessoal esqueceu de colocar o código correto e ninguém percebeu antes de lançar o jogo rs
– Na água parada não tem o reflexo dos personagens, apenas a sombra 👎
– Em algumas partes do mapa, parece que o cenário foi feito às pressas e algumas árvores foram inseridas dentro de rochas e montanhas (???). Isso sem contar os recursos coletáveis (madeira, minérios, pedras etc) que “respawnam” dentro de paredes e abaixo do nível chão (sim), tornando impossível de pegá-los;
– As (NPCs) crianças não estão tão divertidas como nos jogos anteriores ): Poucas animações e scripts e nada de falas fofinhas. Aliás, tem pouca conversa entre NPCs nas cidades, sem aquelas frases memoráveis (e repetitivas rs) do Origins, por exemplo. Uma pena;
– O termo amplamente usado nos diálogos “Mundo grego” (ou “Greek world”) eu acho impreciso. Os gregos não se referiam a si mesmos por esse nome, e sim, como hélidas (“Grécia” em grego é “Hélade”). Quem os chamou de “gregos” pela primeira vez foram os Latinos, então não tinha como eles se referirem às suas terras por esse termo. Esse erro histórico eu não perdoo rs
– O jogo não tem uma “zerada” oficial. Quando você termina as missões da história principal, acabou, você continua jogando, e se quiser mais quests, só fazer as dos mapas, ou comprar as DLCs. Eu tenho a impressão que a história vai terminar mesmo na última parte da segunda DLC. Interessante, mas uma tremenda sacanagem com quem não tem grana sobrando pra comprar conteúdo extra.

Resumindo: um jogaço! O melhor RPG de ação de 2018! Recomendadíssimo, tanto pelo show nos gráficos, jogabilidade, sistema, visual, na pesquisa histórica. Os caras estão de parabéns! Estou no nível 70 (máximo), 200h de jogo, já terminei as duas DLCs lançadas até agora e ainda acho um jogo interessante. Viciante!

Título original: Assassin’s Creed: Odyssey.
Ano de lançamento: 2018.
Empresa: Ubisoft.
Diretores: Jonathan Dumont e Scott Phillips.
Escritores: Jonathan Dumont, Melissa MacCoubrey e Hugo Giard.
Compositores: The Flight (Joe Henson e Alexis Smith).
Nota do Gilga: 9,5.

P.S.: Rio muito toda vez que lembro que um dos caras da PC Gamer avaliou todos os pintos das estátuas em AC Odyssey: https://www.pcgamer.com/every-penis-in-assassins-creed-odyssey-rated/

[Resenha] Homem-Aranha no Aranhaverso

Enfim estreou na última quinta (10) nos cinemas brasileiros a animação longa metragem Homem-Aranha no Aranhaverso. Trata-se do melhor filme animado com personagens Marvel, e inclusive o longa ganhou o Globo de Ouro no dia 6 de Melhor Animação, derrotando favoritos como Incríveis 2 e WiFi Ralph.

O filme é centrado na história de Miles Morales, um jovem negro e latino do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha.

Vamos aos prós e contras do filme:

O que eu gostei:
– A trama. Apesar de seus (poucos) defeitos, a trama é a grande atração do filme, e acredito que tenha sido ela a responsável pela vitória da animação no Globo de Ouro de 2019;
– A animação é legal. Apesar da minha resistência inicial, por achar que ela tem poucos frames e parecer meio travada às vezes, a animação (CGI) é inovadora e divertida;
– Referências e easter eggs divertidíssimos, não só as dos quadrinhos, mas também à cultura pop (e memes), de uma maneira geral;
– Sempre vou bater nessa tecla: representatividade. Como é bom para a atual geração se ver representada nas histórias em todas as mídias e perceber que é possível ser um herói e fazer a diferença quando se é negro, latino ou mulher por exemplo. Miles Morales deve inspirar muitos jovens negros de todos os sexos. Que venham mais histórias com personagens diversos!
– O lance das dimensões paralelas abriu um leque de possibilidades no cinema, ainda mais do que Doutor Estranho (2016) tentou. Quero ver algo parecido nos filmes do Universo Cinematográfico Marvel (Olá, Vingadores: Ultimato, será você?);
– A pluralidade dos homens/mulheres/animais-Aranha. Tudo bem que tem dois ali que achei bem forçados, mas no geral eles são divertidos;
– A trilha sonora escolhida para o longa é foda!! Já quero uma mixtape com ela;
– O vilão Gatuno ficou de dar medo (sério) e a história de origem dele ficou muito boa (e fiel aos quadrinhos);
Stacy-Aranha
Nicolas Cage dublando o Homem-Aranha Noir
– Quando o Miles aparece pela primeira vez com seu uniforme ♥♥♥
– A cena pós-créditos ♥
– Inclusive o encerramento (créditos) ficou muito bem bolado e divertido. Parabéns aos envolvidos!


O que eu não gostei:
– O design do Rei do Crime me incomodou muito. Fiquei um pouco ofendido com aquele visual exagerado e desproporcional;
– OK que o Porco-Aranha era engraçado, mas será que foi necessário? Bem como a Peni Perker totalmente animê retardado (desculpa, otakos). Eu preferiria o Aranha Punk ou o Aranha Indiano no lugar rs
– O Peter Parker velho achei um personagem meio forçado também, mó relaxadão (e não tô falando da barriguinha de cerveja, e sim como pessoa mesmo). Custei a acreditar que ele veio da nossa Terra, a 616 (segundo esse vídeo). Se ele for deste Terra, então como explica o fato de ele ter visto a Gwen Stacy (OK que ele é de outra Terra e é mais jovem, mas a cara seria basicamente a mesma) e não a reconheceu? Porra, a Gwen foi o primeiro grande amor da vida do Peter!


Resumindo: é um filme sensacional, tanto para os novinhos quanto aos fãs de quadrinhos, já que é uma versão de bolso do Aranhaverso (que eu resenhei aqui).

Título original: “Spider-Man: Into the Spider-verse”.
Ano: 2018.
Diretor(es): Bob Persichetti, Peter Ramsey  e Rodney Rothman.
Elenco: Shameik Moore, Hailee Steinfeld, Mahershala Ali, Jake Johnson, Liev Schreiber, Brian Tyree Henry, Luna Lauren Velez, Lily Tomlin, Nicolas Cage, Kimiko Glenn e John Mulaney
Duração: 117 min.
Nota: 9,5.

Fontes: Adoro Cinema e Wikipedia.

[Resenha] Aquaman

Nos cinemas brasileiros desde a última quinta (13), Aquaman é o único filme live action de super-heróis da DC/Warner do ano, e olha, amiguinhos… Que filme foda! Parabéns à Warner que finalmente aprendeu com suas cagadas e fez um filme decente baseado em quadrinhos.
Vamos logo aos prós e contras:

O que gostei:
– As cenas de lutas são do caralho! Bem coreografas e enquadradas, são eletrizantes e fodonas;
– A fotografia e edição de vídeo também são excelentes, bem diferentonas e até poéticas;
– A trilha sonora, desde a composição para o filme (uma das trilhas que lembrava um pouco as do game Assassin’s Creed Origins, o que me agradou bastante), bem como as canções já existentes escolhidas para o filme, como novas roupagens interessantes e engraçadas;
– A direção de arte também merece aplausos de pé. Atlântida e todos os cenários e tecnologias submarinos são estonteantes (uma mistura de Avatar com Tron: O Legado) e, pra mim, é o cenário fictício mais foda que já apareceu em filmes de super-heróis, superando Wakanda (Pantera Negra) e Asgard (trilogia do Thor) de lavada. As criaturas imaginadas para o longa, e como a concepção das diferenças físicas e culturas dos sete reinos submarinos são muito bem boladas também;
– Os efeitos especiais, de uma forma geral;
– Roteiro interessante, coerente e muito bem construído;
Nicole Kidman como a Rainha Atlanna

O que eu não gostei:
– Algumas cenas e diálogos forçados, geralmente envolvendo Aquaman (Jason Momoa, que só sabe interpretar a si mesmo) e Mera (Amber Heard). Aliás, muita atuação e diálogos fraquinhos no filme;
– O fato de o Aquaman ser burrão pra ser “alívio cômico” nos diálogos com a Mera, até um momento em que isso é deixado de lado e ele demonstra saber os nomes de personagens do Império Romano, parecendo que ele tirou essa informação do cu;
– Por falar em comicidade, a comédia do filme é bem fraquinha. A gente percebe que os roteiristas tentaram, sabe?
– A explosões jumpscare. VTNC, James Wan!
– Algumas decisões no roteiro que desafiam nossa inteligência (haja suspensão da descrença).

Se o filme era pra ser colorido e berrante, então capricharam nesse uniforme do Aquaman.


De resto, é um filme divertido, empolgante e uma excelente surpresa pra quem não esperava mais nada da Warner/DC depois de seus sucessivos fiascos, bem como de um dos personagens mais subestimada da Editora Detective Comics Comics. Recomendadíssimo!


Título original: “Aquaman”.
Ano: 2018.
Diretor: James Wan.
Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Temuera Morrison, Dolph Lundgren, Yahya Abdul-Mateen II, Patrick Wilson, Nicole Kidman.
Duração: 143 min.
Nota: 9.

[Resenha] She-Ra and the Princesses of Power

Estreou no último dia 13 (que, por coincidência, é meu aniversário) na Netflix a série animada She-Ra and the Princesses of Power, reboot do desenhos dos anos 1980. Mas calma lá, esse é um desenho BEM diferente do original… A nova She-Ra é uma releitura para o público jovem e feminino, para trazer representatividade e empoderamento para as garotinhas (e também, porque não, para os garotinhos), então nada de mulheres coxudas e com pouca roupa. Aliás, o redesign dos personagens está demais e, apesar das reclamações de muitos adultos punheteiros, a versão para o novo desenho incluiu pessoas de diferentes etnias, biotipos e sexualidades. Por exemplo, o Arqueiro é negro, a Cintilante é gordinha, as princesas Netossa e Spinnerella são lésbicas etc. Fora que muitos dos redesigns são mais interessantes e deram uma merecida individualidade para os personagens (muitas das personagens femininas no original eram bem semelhantes, só mudando a cor da roupa ou do cabelo).

Adorei o visual de Adora ♥


O novo desenho tratou de aprofundar as relações entre os personagens. Simplesmente me encantou a história entre Adora (a versão humana de She-Ra) e Felina, ambas órfãs que foram adotadas e criadas por Hordak e sua segunda em comando, Sombria, a serviço da Horda. A vida de Adora, que sempre pensou estar do lado do “bem”, mudou depois de receber um chamado e encontrar a Espada da Proteção, que a transforma na poderosa loira de 2,50m (como é dito na série) She-Ra, a campeã dos Primeiros (os colonizadores milenares de Etéria, o reino onde se passa a história). Ela conhece a vida fora da Zona do Medo, base da Horda (ela foi criada pela SOMBRIA e morava na ZONA DO MEDO, mas mesmo assim ela achava que trabalhava pros mocinhos kkkk) e descobre as atrocidades causada pelas forças para as quais trabalha e, ao encontrar acidentalmente a Princesa Cintilante, do reino da Lua Clara, e seu divertido amigo Arqueiro, Adora acaba entendendo o lado dos Rebeldes. Assim começa a aventura de She-Ra and the Princesses of Power, que, diferente do desenho dos anos 1980, que era She-Ra: Princess of Power (se referindo apenas à She-Ra como a Princesa do Poder), a She-Ra da Netflix dá muito mais importância às outras princesas, quase como se fossem as Princesas Disney com poderes e que não precisam de homens para defendê-las, afinal, são elas que, unidas, são o equilíbrio do poder mágico de Etéria.

Adora e Felina: amigas, rivais, irmãs.


Quanto ao visual da She-Ra, não curti muito. Ela é meio… estranha. E também quando ela aparece, é muito apelona. Eu prefiro quando Adora – que tem treinamento militar – e seus amigos, resolvem as tretas sem apelar pra She-Ra. Eu vejo a She-Ra aqui como Lois & Clark, aquela série do Superman dos anos 1990, focada mais na relação entre o alter-ego humano do Super com a repórter Lois. O Superman só aparecia no final pra salvar o dia, mas não era o personagem principal. A nova She-Ra até que é assim e precisa ser assim mais, dar mais espaço aos personagens secundários e sem (muitos) poderes.

Outra coisa que me chama a atenção é que até alguns dos vilões são carismáticos, com ênfase na Felina (que é legal exceto quando ela faz maldade só por fazer), Scorpia (uma gigante de coração inocente) e os cadetes secundários da Horda. A dubladora da Sombria (Lorraine Toussaint, a Vee de Orange is the New Black) é muito boa e a personagem tem uma presença imponente e ameaçadora, e o design do Pingo, aquele mascote do Hordak, é muito fofinho! ♥

Tirando algumas princesas que acho chatas/inúteis – como Perfuma, Entrapta etc – She-Ra é um desenho divertido, importante e uma ótima e bem construída história de fantasia.

Título original: “She-Ra and the Princesses of Power”.
Ano: 2018.
Criado e produzido por: Noelle Stevenson e Chuck Austen.
Elenco (voz): Aimee Carrero, Karen Fukuhara, AJ Michalka, Marcus Scribner, Reshma Shetty, Lorraine Toussaint e Keston John.
Duração: 13 episódios de +/- 25 minutos cada.
Nota: 8.

[Resenha] Castlevania – 2ª temporada

Também no dia 26 estreou a segunda temporada da série animada Castlevania, baseada na saga de games da Konami. E Castlevania voltou BEM diferente neste ano. Conto mais nos pontos positivos e negativos da 2ª temporada:

O que eu gostei:
– Pra começar, uma série TOTALMENTE NOVA. Parece que tentaram apagar os deslizes cometidos na temporada anterior (resenha aqui) e reescreveram a série com outro clima, outra pegada, e tá muito melhor, viu;
– A trama desse ano introduz vários personagens, os generais do Drácula – vampiros e humanos – que parecem ser de diferentes partes do mundo: Godbrand, que é um viking sanguinário e está sempre questionando as decisões de seu líder e seus companheiros; Isaac e Hector são humanos e os mestres da forja do Drácula. Isaac cria o Exército da Noite (criaturas demoníacas) enquanto Hector tem o poder de ressuscitar os mortes com seu martelo mágico; Carmilla, uma poderosa vampira que se alia a Drácula, mas suas intenções são outras, e ela se mostra uma perigosa estrategista;
– A dinâmica entre o trio de heróis Trevor Belmont, Alucard e Sypha é muito boa, com o filho do Drácula e Trevor se provocando o tempo todo e Sypha sendo a adulta tentando pôr razão na cabeça da dupla;
– A maior parte das cenas de luta são épicas, principalmente as que envolve o Alucard, que tem os poderes mais fodas da série;
– O estupendo castelo móvel do Drácula;
– A Estrela da Manhã (Morning Star);
– A batalha final contra o Drácula ♥

Trevor encontra uma nova arma.


O que eu não gostei:
– O traço do desenho e a animação estão com a qualidade inferior em relação ao ano anterior (DBZ, é você? rs), apesar de ainda ser bom e não comprometer muito a trama.

Apesar desta temporada focar mais no vilão do que no mocinho principal (Trevor), a trama é interessante e tem um excelente ritmo, onde vê-se o empenho dos roteiristas de trazer o lado “humano” de Drácula à tona e em como ele abandonou tudo após à morte de sua esposa Lisa (na 1ª temporada, tem um rápido flashback no episódio 2×01 que mostra outro ponto de vista sobre a morte dela), além de explorar um pouco o relacionamento do vampirão bigodudo com seu filho e jogar luz no passado (e antepassados) de Trevor.

A temível Carmilla, e Hector ao fundo.


Castlevania se mostrou um dos desenhos originais Netflix mais sensacionais até agora. Recomendadíssimo!

Título original: “Castlevania”.
Ano: 2018.
Criado e produzido por: Adi Shankar, Fred Seibert, Kevin Kolde, Warren Ellis, Larry Tanz, Toshiyuki Hiruma.
Elenco (voz): Graham McTavish, Richard Armitage, James Callis, Alejandra Reynoso, Emily Swallow, Matt Frewer, Tony Amendola.
Duração: 8 episódios de +/- 25 minutos cada.
Nota: 9,5.

[Resenha] Chilling Adventures of Sabrina – 1ª temporada

Na última sexta (26) estreou a 1ª temporada (ou 1ª parte, como está identificado) na Netflix a série Chilling Adventures of Sabrina (ou “O Mundo Sombrio de Sabrina”, em português), que é um “spin-off” de Riverdale (CW) e também baseada nos quadrinhos da Archie Comics.

Esqueça aquela série dos anos 1990, com Melissa Joan Hart no papel-título e o Salem animatrônico e engraçadalho. Como o próprio título da série Netflix sugere, a atual releitura é sombria e nada adolescente, com menções ao próprio Satã e rituais macabros, sacrifícios e mortes sangrentas e muitos sustos de verdade, além de cenas de nudez, inclusive da própria Kiernan Shipka que interpreta Sabrina Spellman (a atriz já tem 18 anos, ok?), pois afinal, foi baseada na série atual de quadrinhos de mesmo título, escrita também por Roberto Aguirre-Sacasa, o criador/roteirista das séries de TV Riverdale e Sabrina. Essa série é BAPHO e eu ainda não sei como as mães cristãs não fizeram boicote e alarde nas redes sociais por ser uma série pra lá de satânica (vai ver, porque elas ainda não assistiram rs).


Sabrina Spellman aniversaria em 31 de outubro (Halloween) e precisa decidir se assina ou não o Livro da Besta para assim entregar sua alma/liberdade a Lúcifer e receber os poderes plenos de bruxa ou manter sua vida humana com seus amigos, namorado e escola.
Os outros personagens são:
Zelda (Miranda Otto) e Hilda (Lucy Davis): as tias de Sabrina que a criaram desde as mortes dos pais dela. Administram uma funerária. Zelda é a mais severa porém protetora, e Hilda é a “mãe” boa que acaba fazendo as vontades da sobrinha;
Ambrose (Chance Perdomo): primo de Sabrina, que cumpre pena domiciliar e não pode sair de casa. Ele é responsável pelas autópsias e prepara os mortos para funerais. Sabrina sempre consegue ajuda dele. Ambrose é LGBT e ganha um interesse romântico masculino durante a temporada;
Harvey Kinkle (Ross Lynch): O boy da Sabrina. Ele é romântico e dedicado, o que torna a escolha da bruxinha entre escolher o mundo mortal ou das bruxas ainda mais difícil;
Mary Wardwell (Michelle Gomez): a solteirona e recatada professora de Sabrina, que acaba sendo “possuída” por uma entidade que a torna uma sexy e poderosa aliada/ameaça na vida de Sabrina. Ela está em toda parte vigiando a bruxinha, pessoalmente ou com seu corvo chamado Stolas;
Roz Walker (Jaz Sinclair) e Susie Putnam (Lachlan Watson): as amigas mais chegadas de Sabrina. Roz tem miopia degenerativa e, posteriormente, descobre um segredo em sua linhagem, enquanto Susie sofre bullying homofóbico por sua aparência.

A trama é uma montanha-russa de emoções e vemos Sabrina e aliados se metendo em altas tretas, com direito a feitiços dos mais diversos (tem muito “xingamento” em latim, o que achei bem bolado), uns plots twists sinistros (estou ainda chocado com o que Sabrina fez no episódio 8), que nos presenteou com assassinatos, vudus, ressurreições, zumbis, espíritos malignos, possessões, exorcismos e cavaleiros apocalípticos.

Um batismo pra lá de sombrio.


O Mundo Sombrio de Sabrina me surpreendeu bastante, pois desfez a imagem que eu tinha da personagem e apresentou novas abordagens interessantes tanto de história quanto como série em si. Recomendado (para quem não tem coração fraco rs).


Título original: “Chilling Adventures of Sabrina”.
Ano de estreia: 2018.
Criado e produzido por: Roberto Aguirre-Sacasa, Craig Forrest, Ryan Lindenberg e Matthew Barry.
Duração: 10 episódios de +/- 55 minutos cada.
Nota do Gilga: 8.

[Resenha] Demolidor – 3ª temporada

Na última sexta-feira (19) estreou na Netflix a terceira temporada de Daredevil – vulgo Demolidor -, série baseada no personagem Marvel. E gostei pra caramba, viu. Ouso dizer que esta temporada de Demolidor é a melhor temporada de todas as séries Marvel/Netflix!
Vamos logo aos prós e contras:

O que eu gostei:
– Trama deste ano muito bem construída. O texto tá de parabéns. Dei gostosas risadas com os comentários sarcásticos da irmã Maggie (Joanne Whalley). Se eu fosse uma freira, queria ser que nem ela;
– Os arcos dos personagens principais – Matt/Demolidor (Charlie Cox), Wilson Fisk/Rei do Crime (Vincent D’Onofrio) e Dex/Mercenário (Wilson Bethel) – foram sensacionais, apesar de eu achar que quase tudo o que o Fisk fez foi exagerado e que o arco do agente Ben Poindexter foi ousado e bem diferente da origem do personagem nos quadrinhos. As tramas pessoais de Karen Page (Deborah Ann Woll) e Foggy Nelson (Elden Henson) foram devidamente aprofundadas. Gostei até do episódio flashback da Karen, pois muito emocionante;
– As cenas de luta, principalmente as do plano-sequência maravilhoso na prisão no episódio 4 e da primeira luta de Matt contra o falso Demolidor no episódio 6. Muito visceral, muita porrada realista (ou foi de verdade? fica a dúvida);
– O Mercenário arremessando e ricocheteando objetos \m/
– O flashback “interativo” e em preto e branco de Dex assistido pelo Fisk. Muito daora aquilo!
Vanessa (Ayelet Zurer) “Rainha do Crime”.


O que eu não gostei:
– Nada em particular, fora um ou outro acontecimento que exigiu muita suspensão de descrença da minha parte. 

O 3° ano de Demolidor está de parabéns, provando, uma vez mais, que é a melhor, mais bem escrita e produzida série Marvel na Netflix. Recomendadíssimo.


Título original: “Daredevil”.
Ano de estreia: 2018.
Criado e produzido por: Drew Goddard e Kati Johnston.
Duração: 13 episódios de +/- 45 minutos cada.
Nota do Gilga: 9,5.

[Resenha] Punho de Ferro – 2ª temporada

Chegada na Netflix em 7 de setembro, assisti a 2ª temporada de Iron Fist (Punho de Ferro pros leigos). E que temporada arrastada, hein, amiguinhos.
Bom, vamos lá então aos pontos positivos e negativos desta temporada.

O que eu gostei:
– A coisa que eu mais gostei deste ano, como fã de quadrinhos Marvel, foi da vilã Mary Walker. Conhecida nas HQs como Mary Tyfoid, ela surgiu pela 1ª vez em 1988 nas histórias do Demolidor. A vilã tem dupla personalidade, e Alice Eve, a atriz que interpretou a personagem, soube bem fazer as viradas de personalidade, fazendo a psicótica boazinha/psicótica má. O arco de Mary foi bom até o final da temporada, quando a personagem foi meio deixada de lado na trama;
– Achei bacana que usaram mais elementos dos quadrinhos na história do Danny Rand (Finn Jones). K’un-Lun (em flashback), a batalha pelo Punho de Ferro contra Davos (Sacha Dhawan) e até alguns (não vou falar quantos) detentores anteriores do Punho de Ferro (não vou dizer quais). Só faltou o Shou Lao mesmo rs;
Coleen Wing (Jessica Henwick) pôde brilhar (literalmente) nesta temporada.


O que eu não gostei:
– Basicamente todo o resto. Essa temporada foi mais um calvário pro Danny, que sofreu pra caralho (foi meio que “A Queda do Punho de Ferro”), em uma trama forçada e nada a ver;
– Outra coisa é que o personagem principal foi deixado de lado, dando mais destaque para os outros personagens. OK que isso é bom, desenvolver os outros personagens, mas pareceu que Danny Rand não era o protagonista;
– Davos. Pelo amor dos deuses, que cara CHATO. Um personagem que foi deixado em 3º plano na temporada anterior, não tem como gostar do que foi feito com ele neste ano, um vilão sem apelo nenhum, só um cara que não aceitou a derrota e resolveu infernizar a vida do Danny;
– Os irmãos Meachum. A Joy (Jessica Stroup) foi desprezível, e ainda deram uma segunda chance pra ela no decorrer da temporada, mas que eu não comprei de jeito nenhum pois ela cometeu vários crimes e permaneceu solta (ah, o privilégio do branco rico…); já o Ward (Tom Pelphrey) foi um poooooorre, quando começava uma cena do núcleo dele eu quase dormia, não fez nada que se pudesse tirar proveito nesta temporada e ficou meio perdidão no elenco de apoio. Tenho pena pelo ator;
– OK que achei bom que usarem o lado místico do Punho de Ferro, mas usaram demais e tiveram umas coisas ali que são difíceis de engolir. E o que foi a cena “pós-créditos” na season finale? Mais samba do crioulo doido, impossível. Viajaram demais. Só quero ver que lambança vai ser o 3º ano;
– Abusaram DEMAIS do punho luminoso. Mdssss!! Qualquer coisinha era um murro no chão pra derrubar tudo e todos.


Resumindo: uma temporada fraquíssima. Se você achou a 1ª temporada de Punho de Ferro chata (e foi mesmo), então prepara-se para este ano. A série sofreu do mesmo problema de Luke Cage (que eu nem tive coragem de resenhar no blog), com roteiro fraco e protagonista com pouco destaque. As únicas temporadas do 2º ano que foram boas foram a de Jessica Jones (que foi mais ou menos) e a do Demolidor (que foi boa mesmo). Agora só nos resta aguardar pelo 3º ano do Homem de Sem Medo (que estreia em 19 de outubro).

Título original: “Iron Fist”.
Ano de estreia: 2018.
Criado e produzido por: Scott Buck e Eric Perazzo.
Duração: 10 episódios de +/- 50 minutos cada.
Nota do Gilga: 6,5.

[Resenha] Dragon Quest XI

Um pouco mais de 13 meses depois de lançado no Japão para PS4 e 3DS, o Ocidente finalmente recebeu a versão em inglês de Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age para PS4 e PC (a versão para Switch chegará, em versão Special, ainda sem data) e eu pude zerar essa belezinha no PS4.

Dragon Quest é uma saga de JRPG que eu possuo grande carinho que, ao lado de Final Fantasy, é uma das maiores e mais importantes do gênero. No Japão mesmo faz um grande sucesso. Pude jogar os capítulos III, IV, V, VI, VII, VIII e IX (em versões originais, ports ou remakes).

Eu tenho tanto a elogiar esta OBRA-PRIMA que já vou começar com o que eu gostei:

– Os gráficos são ESTONTEANTES. Os produtores arregaçaram nos recursos da Unreal e utilizaram quase que toda a capacidade da engine pra produzir os cenários; a luz e a sombra, os flares dos objetos brilhantes, a água (quase todas), o fogo e a lava, a vegetação e as rochas, a luz refletindo nas poças d’água entre as pedras da rua (a cidade de Gondolia é um bom exemplo), o gelo e o dourado, tudo quase perfeito, beirando ao realismo;
– Por falar no level design, vou citar aqui os cenários favoritos: Heliodor, Gallopolis, Gondolia, Costa ValorDundrasil, First Forest, Snærfelt, o interior do Mount Huji… E quando pensei que já havia visto todos cenários mais bonitos do jogo, cheguei em Nautica, um reino debaixo d’água habitado por humanoides anfíbios, peixes e cuja rainha é uma sereia chamada Marina. Pqp que cenário LINDO! Dá vontade de largar a história e as quests e só ficar passeando pela cidade admirando a riqueza de detalhes. Aliás, como tem detalhes! Ao entrar nas casas das pessoas (RPG é de boa que você pode invadir sem protestos a residência de estranhos, vasculhar tudo e ainda levar o conteúdo dos baús, né), pare e olhe as prateleiras da cozinha e se encante com todos os detalhes que encontrar, os temperos, os vidrinhos, nas estantes da sala, as estátuas, os enfeites… Dá pra perceber que o jogo foi feito com muito esmero;
– Já no character design, temos um dos grandes atrativos da saga: desde o 1º capítulo, tudo tudo – personagens, NPCs e até os monstros – é imaginado por Akira Toriyama, criador de Dragon Ball. Então não se assuste ao controlar ou ver personagens que se parecem com Goku, Gohan, Trunks e Bulma. Já os monstros têm dos estilos mais variados, desde os fofinhos – o carro-chefe são os Slimes, aquelas gotinhas azuis com cara de bobo – aos bizarros e assustadores, sem contar que seus nomes geralmente são trocadilhos bem bolados em inglês;
– A batalha é bem divertida mas não mudou muito desde os DQ anteriores. Aliás, se tem uma coisa que fizeram no capítulo XI foi manter a tradição da série. RPG de turnos como todo bom e velho JRPG. Inovação mesmo só os Pep Powers, uma espécie de Limit Break em dupla ou mais ao combinar golpes dos personagens em combos poderosos (e com um belíssimo CG de animação);
– Ainda sobre o sistema, as Skills agora são aprendidas num tipo de “árvore”, onde cada personagem tem um desenho de árvore diferente, e ali você vai escolhendo o que aprender ou que atributos aumentar primeiro, focando nas habilidades, armas e atributos que mais lhe agradar, usando as Skill Points recebidas ao subir de nível;
– Alguns equipamentos, geralmente necessitando equipar dois juntos, muda a “skin” do personagem, assim alterando o visual dos mesmos. Uns são maneiros enquanto outros são só de zuera hehe (como não amar o Cat Suit da Veronica?);
– Forjar equipamentos na Fun-Size Forge é bom demais (ainda mais divertido que em DQIX);
– Outra coisa bacana é montar em alguns monstros especiais que você tem que derrotar e assim acessar locais que normalmente não consegue, para pegar baús, itens (brilliant spots) ou continuar o trajeto. São eles: abelha, esqueleto de seis patas, cavalo espectral, robozinho etc. Isso garante gostosas risadas;
– O jogo está recheado de minigames devido aos cassinos (outro clássico de DQ): tem poker, caça-níqueis e roleta. E além disso, tem corrida de cavalos em Gallopolis;
– A trilha sonora é do cacete. Sempre foi, mas desta vez não é diferente, e tudo executado pela Tokyo Metropolitan Symphony Orchestra. Meus temas preferidos seguem abaixo, após o pulo;
– A história não é muito lá original (lembro um pouco a Trilogia Zenithia dos capítulos IV-VI) mas é bem interessante, com ótimos plot twists. E prepara-se para chorar, viu. ~Teje avisado;
– Ainda sobre a trama, quando você recomeça/dá reset no jogo, aparece um resumo (The story so far), explicando os últimos acontecimentos, pra não deixar ninguém boiando na história. E outro recurso é sempre que algo acontece e quando você precisa encontrar algo/alguém ou ir para outro lugar, terá um personagem com um balão rosa que te diz o que você deve fazer a seguir. E qualquer coisa, também tem a opção Party Talk, onde membros do grupo conversam com você e dão dicas do que fazer a seguir. “Ah, mas assim tira o desafio”. É só não ler, pô!
– A Square-Enix viajou o mundo e usou referências de diversos povos e culturas na construção do visual/design de algumas cidades: Tem Itália, Espanha, Havaí, Vietnã, Japão etc;
Sylvando, melhor personagem! Rindo até hoje da “parada gay” que ele promove em certa altura da trama. E parabéns ao dublador Shai Matheson por dar tanta personalidade ao personagem. Aliás, o elenco de dublagem tá todo de parabéns também. As frases ditas ao final das batalhas e quando os personagens sobrem de nível são um show à parte!
– Tem muito conteúdo pós-jogo. A história rende depois do “The End” e parece a parte 2, com uma trama mirabolante e novas quests.

O que eu não gostei:
– Agora problematizando um pouco… Não existem negros no mundo de Dragon Quest. Essa era a chance da Square de usar pessoas não-brancas tanto para personagens jogáveis como para não jogáveis, e eles até usaram inspiração em outras culturas para a construção dos cenários, mas todas as pessoas de Erdrea são brancas. E isso desde sempre em toda a saga. Em Final Fantasy até que rolou um ou outro personagem, mas em DQ isso não acontece. Será que é o Toriyama que não gosta de desenhar pessoas de cor? Ou é a Square que nunca pede pra ele?? Fica aí o questionamento;
– Outro problema recorrente e gravíssimo: a maioria das personagens femininas são símbolos sexuais. Entendo que o Puff-Puff é a piada sexual recorrente do jogo, mas mesmo assim a Jade, personagem fortíssima que, mesmo sendo uma princesa, é uma guerreira poderosa e destemida, tem uma skill que simula essa “piadinha”, e outra que ela dá uma bundada no inimigo. Por que uma guerreira que é boa com os pés e com os punhos e que usa lanças e garras iria usar a BUNDA se não pra agradar japonês punheteiro, não é mesmo?
– Quanto ao jogo em si, a maioria dos chefões são fáceis e não apresentaram desafio;
– Tudo bem que também faz parte da saga, mas o personagem principal não ter nome e nem falar irrita às vezes. Estão lá os personagens conversando e nome do Herói nunca é citado, e quando perguntam algo pra ele, ele só responde com sim ou não (por texto). Isso faz com ele não tenha personalidade;
– Uma coisa no level design que me irritou um pouco às vezes: muitas das árvores do cenário são bem baixinhas e bloqueiam a visão do jogador, o que dificultou um pouco a exploração;
– Infelizmente ainda não vi finalidade daqueles fantasminhas que se encontram no cenário. Algo que se perdeu na localização ocidental ou era coisa exclusiva só pra 3DS? Ainda não descobri;
– P.S.: Queria ter podido jogar a versão do 3DS também…

Resumindo, DQXI é SENSACIONAL, divertido, nostálgico para os fãs, cumpre o que promete e ainda surpreende entregando mais, emocionante e um JRPG porreta que proporciona uma experiência completa tanto pra quem tá chegando agora quanto para os veteranos. Mal posso esperar pelo XII.

Aqui alguns prints e vídeos que compartilhei no Twitter: https://twitter.com/search?q=from%3Areigilgamesh%20dq11&src=typd

Jade porradeira plmdds ♥

Título original: Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age.
Ano de lançamento: 2017 (Japão) e 2018 (ocidente).
Empresa: Square-Enix.
Diretor: Takeshi Uchikawa.
Produtores: Yosuke Saito e Hokuto Okamoto.
Artistas: Akira Toriyama e Eiichiro Nakatsu.
Roteiristas: Yuji Horii.
Compositor: Koichi Sugiyama.
Nota: 9,5.