[Resenha] Dragon Quest: Your Story

Ontem (13) chegou à Netflix o filme animado Dragon Quest: Your Story, que foi lançado no Japão no ano passado, e que é baseado no game Dragon Quest V: Hand of the Heavenly Bride (1992, SNES), um dos RPGs mais icônicos da Square-Enix.

A animação serve tanto para acalentar os corações dos fãs dos games (meu caso) quanto ao público casual (assisti com o mozão e ele gostou bastante). Após o trailer abaixo, seguem minhas impressões.

O que eu gostei:

  • O CGI é incrivelmente LINDO. Um dos melhores trabalhos no estilo que já assisti;
  • A história, apesar de ser baseada em DQV, tem alterações na adaptação e tem um plot twist GIGANTE no terceiro ato que quase fez o c* cair no chão. Muito bem bolado e com uma boa dose de metalinguagem. E apesar de estarem faltando alguns personagens, gostei bastante;
  • O lance da trama ter três eras é muito bom e causa um impacto e tanto na narrativa. Por isso é um dos meus DQ favoritos;
  • Os personagens humanos nem tanto, devido à escolha artística do longa, mas os monstros com o character design do Akira Toriyama estão lá com seu visual divertido;
  • Aliás, os primeiros minutos do filme – uma espécie de introdução – foi muito bem bolado, como se fosse um game mesmo de 16 bits;
  • O slime Goortrude e o sabrecat Purrcy (principalmente quando filhote) são muito fofinhos! Japoneses sempre capricham na fofura dos mascotes;
  • O visual da Bianca tá muito foda. Ela parece uma viking;
  • O personagem Alus é muito fofo e carismático;
  • Esta história é uma das mais tristes dos JRPGs que já joguei e, apesar de achar que faltou impacto em algumas cenas, tem uma em especial, no terceiro ato, que me fez dar uma lacrimejada.

O que eu não gostei:

  • Tudo bem que a história do game não caberia em apenas 2h, mas achei muito corrido o começo do filme, as informações foram muito jogadas no início. Até eu que já conhecia a trama achei um pouco atropelado, e certeza que isso pode atrapalhar o entendimento pro público médio, narrativamente falando;
  • Acho que faltou um pouco mais de apresentações e contexto, pois têm muita informação que ficou jogada do tipo “Que cidades são essas que estão falando?”, “Quem são essas pessoas?” etc, que poderiam ser explicadas em narração ou flashbacks;
  • Uma coisa que me incomodou bastante é o humor japonês. Umas piadas fraquinhas e forçadas que eu ficava tipo “Nossa, que bosta”. Mas enfim, nada que estrague muito a experiência;
  • Vilão exageradamente estereotipado. Tudo bem que é baseado numa história de um JRPG dos anos 1990, mas os roteiristas do filme poderiam dar uns retoques para deixá-lo mais crível e menos forçado;
  • Queria que as magias fossem como no jogo, com nomes onomatopaicos, hehe;

Resumindo, DQYS é um filme lindo, para todos os públicos, emocionante e divertido, e uma das melhores adaptações de games para o cinema (o que não é uma tarefa muito difícil rs). Que venham mais boas adaptações assim!

Título original: “ラゴンクエスト ユア・ストーリー”.
Ano: 2019.
Diretor: Takashi Yamazaki, Ryuichi Yagi e Makoto Hanafusa.
Elenco: Takeru Satoh, Kasumi Arimura, Haru, Ken Yasuda.
Duração: 102 min.
Nota: 8,5.

[Resenha] Dracula (BBC)

Dracula é uma minissérie em três episódios de 1h30 cada (no mesmo formato de uma temporada de Sherlock, dos mesmo criadores) da BBC, que está disponível na Netflix, e é uma releitura do romance homônimo de Bram Stoker.
Mas Dracula é boa?

O que eu gostei:
– O roteiro. Digitando com os pés pois estou aplaudindo os roteiristas. Cada diálogo sagaz e debochado, cada reviravolta na trama. Tudo muito fantástico, no mesmo nível de Sherlock (já indiquei a série aqui) e até melhor;
– O elenco, as atuações e a dinâmica entre os personagens estão excepcionais;
– A personalidade do Drácula (intepretado por Claes Bang) é perfeita: sedutor, arrepiante, manipulador e sempre consegue o que quer, não poupando vítimas fatais;
– A atmosfera de terror e thriller psicológico está em boa dose;
– As locações, a fotografia, os efeitos práticos, todos muito bons. Achei que até tava acima do nível de qualidade da BBC (estou falando com você, Doctor Who rs);
– Como a série pegou algumas lendas em torno dos vampiros e subverteu-as, dando a elas significado;
– Por falar nisso, o lance das memórias no sangue. Achei bem Assassin’s Creed, sabe rs;
– O “salto” que a trama dá ao final do segundo episódio e durante o terceiro é muito bom. Não estava esperando, e ficou fantástico!
– Eu poderia falar quais foram as coisas que eu mais gostei em cada episódio (gostei dos três), mas prefiro evitar por motivos de spoilers.

O que eu não gostei:
– O fato de ser uma minissérie é o meu único contra. Adoraria ver mais sobre o Drácula e super toparia acompanhá-lo durante os cinco séculos em que ele viveu. Seria uma viagem e tanto!

Dracula é uma mini envolvente, emocionante e que não cansa de surpreender o telespectador. Recomendadíssima!

Título original: “Dracula”.
Ano de estreia: 2020.
Criado e produzido por: Mark Gatiss e Steven Moffat.
Elenco: Claes Bang, Dolly Wells, John Heffernan, Morfydd Clark, Sacha Dhawan e Mark Gatiss.
Duração: 3 episódios de +/- 90 minutos cada.
Nota do Gilga: 8,5.

[Resenha] The Mandalorian – 1ª temporada

The Mandalorian é a primeira série live-action baseada no universo de Star Wars e a primeira do canal de streaming da Disney, o Disney+. Com 8 episódios, The Mandalorian mostra as aventuras de um mandaloriano caçador de recompensas (interpretado por Pedro Pascal), que se passam entre os episódios VI e VII da franquia dos cinemas. Mas é claro que a grande sensação da série não é o protagonista, e sim o “Baby Yoda” (entre aspas porque não se trata do próprio Yoda dos filmes, e sim um bebê de sua raça sem nome), que roubou nossos corações (e que talvez só vá ter sua popularidade disputada com o Baby Sonic).

Mas e aí, a série é boa?

O que eu gostei:
– Bom, sem sombras de dúvidas, o Baby Yoda. Como pode um bonequinho animatrônico ser TÃO FOFO? Meu cérebro derrete em cada vez que ele faz um olhar ou barulhinho de bebê. A Disney é mestre em fazer criaturas fofinhas, e não só pra vender brinquedos;
– A atmosfera e o visual da série é bem velho oeste (“space western“?), o que dá pra ver tanto pelas locações empoeiradas quanto na trilha sonora;

– As artes conceituais que aparecem no final de cada episódio são obras-primas à parte;
– Estão de parabéns todos os envolvidos na produção de The Mandalorian, principalmente Jon Favreau (Homem de Ferro 1 e 2), que soube capturar bem a essência de Star Wars e fazer uma série bonita, divertida e interessante. Inclusive temos outros nomes conhecidos na direção de alguns episódios, como Bryce Dallas Howard (Jurassic World) e Taika Waititi (Thor: Ragnarok);
– No elenco também temos bons e conhecidos atores, como Carl Weathers (Rocky I, II, III e IV), Giancarlo Esposito (Breaking Bad), Nick Nolte (Cabo do Medo) e Ming-Na Wen (Agents of S.H.I.E.L.D.);
– A trama não é lá essas coisas (outra série que parece um game, com uma “quest por episódio”), mas gostei de algumas reviravoltas e decisões do roteiro;
– O droide IG, tanto na versão caçador como na babá 👍

O que eu não gostei:
– O fato do personagem principal não mostrar o rosto. Eu sei que é um regra dos mandalorianos (“This is the way”), mas fico um pouco com pena pelo Pedro Pascal que acaba não ganhando a projeção que ele merece.

Baby Yoda: a
Meu cérebro: SFIPWHGE02H80HG2%$&(

Assistam O Mandaloriano. É uma divertida e bem produzida série, tanto para os fãs de Star Wars quanto para o público médio que nunca teve contato com a segunda maior franquia de todos os tempos, fora que foi, pra mim, uma experiência interessante assistir a série ao mesmo tempo que jogava Star Wars Jedi: Fallen Order (em breve, resenha no blog) que, apesar de se passarem em épocas diferentes, meio que uma obra completa a outra.

Título original: “The Mandalorian”.
Ano de estreia: 2019.
Criado e produzido por: Jon Favreau, Dave Filoni, Kathleen Kennedy e Colin Wilson.
Elenco: Pedro Pascal, Gina Carano, Nick Nolte, Giancarlo Esposito, Emily Swallow, Carl Weathers, Omid Abtahi, Werner Herzog e Taika Waititi.
Duração: 8 episódios de +/- 60 minutos cada.
Nota do Gilga: 8.

[Resenha] His Dark Materials – 1ª temporada

Indo ao ar pela BBC One aos domingos e pela HBO nas segundas, em novembro estreou a série His Dark Materials, com sua 1ª temporada dividida em 8 episódios. Baseada na trilogia de livros Fronteiras do Universo de Phillip Pulmann, a série da BBC One conta a história de Lyra Belacqua (Dafne Keen) que vive num mundo habitado por bruxas, ursos de armadura e daemons. A 1ª temporada mostra a trama do primeiro livro, “A Bússola Dourada”, que já virou filme em 2007, com Daniel Craig e Nicole Kidman.
Mas vamos ao que interessa…

O que eu gostei:
– A abertura. Tanto a animação quanto a trilha são demais!

– Achei que a trama do primeiro livro ficou bem distribuída em 8 horas, deu bastante profundidade aos personagens e ainda adicionaram outras tramas, bem como achei corajoso da série já incluírem Will Perry (Amir Wilson), o protagonista do segundo livro, “A Faca Sutil”, já nesta temporada;
– Os efeitos visuais até que são bons. Pan, o daemon da Lyra, é fofo demais!
– O visual do mundo de Lyra é estonteante. Parabéns à produção de arte e de efeitos visuais!
– O primeiro episódio é o melhor da série, pois já nos introduz ao mundo de Fronteiras do Universo de maneira grandiosa e espetacular;
– A inclusão ou troca de etnia de alguns personagens, para o aumento de representatividade da série (já que o material original não detalha muito bem isso) foi interessante e importante;
– Não há dúvidas de que a Laura Keen é uma protagonista carismática (desculpa, Dakota Blue Richards);
– O final é triste demais, mas muito bonito e eletrizante.

Os amigos Lyra (Keen) e Roger (Lewin Lloyd) são tão fofos!

O que eu não gostei:
– O visual da Serafina Pekkala (Ruta Gedmintas). Não que eu tenha desgostado por completo. Ele é ousado e diferentão, mas meio que passa uma imagem de bruxa “sujona”, sabe?
– Falando nela, outra coisa que não curti foi a troca do daemon da Serafina. Eu prefiro o ganso, como é nos livros;
– Peguei uma implicância com a Ruth Wilson (que interpreta a vilã Marisa Coulter). Aquela boca dela…

Com um ótimo cliffhanger no final da temporada, His Dark Materials já tem uma segunda temporada encomendada (o projeto inicial é que a série tenha, no mínimo, três temporadas, uma para cada livro) e já estou ansioso desde já.

Título original: “His Dark Materials”.
Ano de estreia: 2019.
Criado e produzido por: Otto Bathurst, Carolyn Blackwood, Joel Collins, Toby Emmerich, Deborah Forte, Julie Gardner, Tom Hooper, Ben Irving, Dan McCulloch, Philip Pullman, Ryan Rasmussen, Jack Thorne, Jane Tranter.
Elenco: Dafne Keen, Ruth Wilson, Anne-Marie Duff, Clarke Peters, James Cosmo, Ariyon Bakare, Will Keen, Lucian Msamati, Gary Lewis, Lewin Lloyd, Daniel Frogson, James McAvoy, Georgina Campbell e Lin-Manuel Miranda.
Duração: 8 episódios de +/- 60 minutos cada.
Nota: 7,5.

[Resenha] The Witcher – 1ª temporada

Na última sexta (20) chegou à Netflix a 1ª temporada de The Witcher, série baseadas nos livros do polonês Andrzej Sapkowski (e não nos games) e estrelada por Henry Cavill (Liga da Justiça).

Confesso que eu estava com as expectativas altas quanto à série devido aos trailers empolgantes que pareciam prometer algo do nível de Game of Thrones. Mas será que The Witcher é tudo isso? Vem comigo!

Yen, maga poderosíssima.

O que eu gostei:
– A narrativa. A série dividiu a trama entre os três personagens principais: Geralt (Cavill), Cirilla (Freya Allan) e Yennefer (Anya Chalotra), e o mais interessante é que, apesar de não parecer inicialmente, elas não se passam na mesma linha do tempo, e cabe ao espectador encaixá-las na cabeça durante a temporada, apesar de não ser muito difícil num nível Westworld (e no final, tudo faz sentido);
– As locações. É cada paisagem bonita! Tem aquela floresta (com um holofote laranja no meio rs), aquelas montanhas, os desfiladeiros, as masmorras. Lugares tão bonitos que deu vontade de visitar todos;
– A parte técnica em si está impecável. Fotografia, edição, direção de arte, efeitos especiais. Dá pra ver que a Netflix não poupou esforços pra realizar uma grande produção;
– A peruca do Geralt até que ficou boa;
– O arco da Yennefer. Saída do chiqueiro para se tornar uma das magas mais poderosas daquele mundo, a personagem da Anya Chalotra é a minha favorita;
– A batalha de Sodden. Totalmente eletrizante!
– O conceito da Lei da Surpresa. Achei interessante.

O que eu não gostei:
– A trama, de um modo geral, não é tãaaao empolgante assim, tirando uma ou outra passagem com muita ação ou decisões surpreendentes dos personagens. A série parece um pouco com um game sim, com cada episódio sendo uma “quest” diferente, pelo menos para o Geralt. Não que isso tenha sido exatamente ruim, mas soa um pouco “encheção de linguiça”. Eu nunca li os livros ou joguei os games, então não sei se o material original era algo assim, mas pro público médio (eu incluso), é isso que parece;
– O bardo é chato demais (sei que esse é o objetivo do personagem, mas ele se esforçou bastante);
– As lentes de contato. Pra que tantas, né? rs;
– Que bom que não existe (muito) racismo no mundo de The Witcher, pois os negros estão em todos os lugares, porém em pouquíssimas posições de poder. Representatividade porém não muito;
– Por falar em falta de representatividade, nenhum LGBT, que eu lembre.

Em resumo, The Witcher é uma boa série. Impecável na parte técnica mas que deixou um pouco a desejar na trama e em algumas atuações (que voz é aquela do Cavill rs), mas vou dar um crédito, pois a maioria das minhas séries favoritas também não tiveram uma 1ª temporada perfeita.

Rolou fanservice com a cena da banheira.

Título original: “The Witcher”.
Ano de estreia: 2019.
Criado e produzido por: Lauren Schmidt Hissrich, Sean Daniel, Jason Brown, Tomasz Bagiński e Jarosław Sawko.
Elenco: Henry Cavill, Anya Chalotra, Freya Allan, Jodhi May, Björn Hlynur Haraldsson, Adam Levy, MyAnna Buring, Mimi Ndiweni, Therica Wilson e Emma Appleton.
Duração: 8 episódios de +/- 60 minutos cada.
Nota: 7,5.

[Resenha] Watchmen, a série

Confesso que, quando eu soube que a HBO iria fazer uma série de Watchmen, eu fiquei tipo “Nossa, pra quê??”, principalmente depois, quando eu soube que a trama se passaria nos dias atuais, com personagens diferentes, fiquei tentando imaginar do que iriam falar, e pensando se era realmente necessária uma série sobre essa HQ que é simplesmente uma das melhores de todos os tempos. Hoje, depois de assistir ao 9º e último episódio da série, eu só consigo pensar “Que HINO de série!” e em como ela é necessária nos dias atuais.

Damon Lindelof – que já nos deu Lost e The Leftovers (ainda não assisti mas quero) – pegou o material original do aclamado Alan Moore e – ouso dizer – foi além do que o bruxão foi nos quadrinhos, e não apenas requentou a história dos Watchmen dos anos 1980, mas usou essa trama pra pavimentar o caminho de todo um novo universo.

A série me pegou nesse enquadramento.

O primeiro episódio já começa com uma voadora com os dois pés no peito e mostrando ao que veio, apresentando ao público um massacre de verdade que aconteceu em Tulsa, Oklahoma e que é pouco citado nos livros de História (eu mesmo desconhecia), onde a população branca matou e feriu vários negros na chamada “Wall Street negra”, e esse evento é no qual a série gira, onde racismo e supremacistas brancos são os vilões da vez (coisa que incomodou muita gente, claro). Somos apresentados a novos personagens, que fazem parte da polícia mascarada de Tulsa: Sister Night (Regina King) e Looking Glass (Tim Blake Nelson), os mais importantes da trama.

Mas não pensem que fica por aí. Alguns personagens da minissérie original (ao qual a série deriva, e não ao filme do Zack Snyder de 2009, portanto, esqueça aquele final) e suas tramas voltam aqui, com destaque ao brilhante Jeremy Irons como Ozymandias. Que arco de personagem! Tudo bem que a trama dele começa cartunesca e meio aleatória, mas tudo se encaixa no final. Outros Watchmen da antiguera aparecem, mas não vou falar aqui por motivos de spoilers (que você já deve ter visto por aí na internet, mas enfim).

Adorei as origens do Looking Glass, do Justiça Encapuzado (dos Minutemen, os primeiros heróis deste universo, lá nos anos 1950), e da própria Sister Night, vinda do Vietnã, o 51º estado norte-americano (lembra que o Dr. Manhattan venceu a Guerra do Vietnã para os EUA? Pois é).

Que episódio foi esse…

Com suas reviravoltas constantes, surpresas e easter eggs, Watchmen é poesia, ousadia e justiça histórica para os negros, e uma série que fala com o nosso tempo, revisitando eventos reais do último século misturados à obra de Moore e Dave Gibbons, nos presenteando com grandes personagens, tramas, atuações e efeitos visuais em mais uma grandiosa obra-prima da HBO. Recomendadíssima e necessária!

Título original: “Watchmen”.
Ano de estreia: 2019.
Criado e produzido por: Damon Lindelof, Nicole Kassell, Tom Spezialy, Stephen Williams e Joseph E. Iberti.
Elenco: Regina King, Don Johnson, Tim Blake Nelson, Yahya Abdul-Mateen II, Andrew Howard, Jacob Ming-Trent, Tom Mison, Sara Vickers, Dylan Schombing, Louis Gossett Jr. e Jeremy Irons.
Duração: 9 episódios de +/- 60 minutos cada.
Nota do Gilga: 10.

[Resenha] The Boys – 1ª temporada

Pelos trailers eu já fiquei curioso para assistir essa série – com muito humor negro e mortes absurdas – e, depois de ver a galera na internet comentando de como The Boys é boa, fui obrigado a assistir… E que série, amiguinhos!

Mais uma inspirada em quadrinhos – HQ homônima criada por Garth Ennis, o mesmo de Preacher, e a série é produzida por Seth Rogen e Evan Goldberg, que também são responsáveis pela de Preacher, que já está indo para a 4ª temporada na AMC – The Boys, que saiu na Prime Video no última dia 26 com 8 episódios, nos mostra um mundo repleto de super-heróis, porém eles são mais um produto que rende bilhões de dólares em merchandising à megacorporação Vought do que heróis altruístas que realmente se preocupam por ajudar as pessoas. Nisso, somos apresentados a dois personagens: Hugh Campbell (Jack Quaid, filho de Dennis Quaid e Meg Ryan), um cara normal que teve sua namorada morta acidentalmente por um “super”, e Luz-Estrela (Erin Moriarty), uma poderosa heroína que finalmente foi admitida no mais famoso supergrupo da Vought intitulado Os Sete.

Luz-Estrela, Profundo (Chace Crawford), Rainha Maeve (Dominique McElligott), Capitão Pátria (Antony Starr), Black Noir (Nathan Mitchell), Trem-Bala (Jessie T. Usher) e Translúcido (Alex Hassell): Os Sete.

Enquanto Hughie é convidado a participar dos “The Boys” por Billy Butcher/Billy Bruto (Karl Urban), humanos normais porém bons de briga, espionagem e infiltração, com a perspectiva de se vingar dos super-heróis, Luz-Estrela descobre que o tão sonhado ingresso nos Sete não é um sonho tão bonito assim, pois os “heróis” são maus-caracteres (tive que procurar o plural de ‘mau-caráter’ e é isso mesmo, ok? rs), arrogantes e altamente perigosos, e ela tem que lidar com essa situação e descobrir o seu verdadeiro lugar no mundo.

Vamos lá: O que eu gostei:

  • A série é 18 anos, então espere muita violência, palavrões, sexo, nu frontal e mortes bizarras no melhor estilo Mortal Kombat. The Boys não possui “limites” e pode mostrar o que criaturas com superpoderes e sem nenhum escrúpulo poderiam fazer ao mundo, com muito humor negro, ação e diversão;
  • O universo de The Boys é muito interessante e repleto de figuras, e adorei a ideia de uma empresa multibilionária ser dona dos direitos de mais de 200 super-heróis através dos EUA, usando-os como produtos rentáveis e levando ao extremo o que seria o capitalismo tardio num universo de superseres;
  • Muito boa a sacada de Os Sete serem uma versão canalha da Liga da Justiça: temos um Superman (Capitão Pátria), The Flash (Trem-Bala), Mulher-Maravilha (Rainha Maeve) e Aquaman (Profundo). Hahaha!
  • A série não é somente sobre super-heróis. É mostrado com destaque como as pessoas normais convivem com os “paladinos” poderosos, e como suas vidas são afetadas pelas ações deles. É o caso de Hughie e os The Boys;
  • The Boys foge da fórmula dos outros quadrinhos. Apesar de não ser nada lá muito novo ou original (quem lembra de Injustice, por exemplo), mas consegue fugir do lugar-comum e ter personalidade própria, e nos faz torcer que seus super-heróis se deem mal hehe;
  • Adorei a personagem Luz-Estrela (Starlight, no original). Ela é poderosa de verdade – com suas rajadas de luz -, mas veio do interior e tem uma personalidade inocente, e ao mesmo tempo não dá perdão aos bandidos e senta o cacete pra valer neles. Meu outro preferido é o Capitão Pátria (Homelander) que, apesar de ser um vilão praticamente, é um personagem bem interessante, e seu olhar psicopata sempre me causa apreensão quando alguém contraria ele hehe;
  • A cena do avião no episódio 6 é muito forte. Quase causou choros em mim;
  • Mesmer, o personagem do Haley Joel Osment kkkkk Muito bom o arco dele;
  • Ver Karl Urban e Simon Pegg atuando juntos desde os filmes de Star Trek foi muito maneiro;
  • A personagem Kimiko (Karen Fukuhara). Ela aparece e a gente fica sem entender qual é a dela, mas durante os episódios, me afeiçoei à ela ♥
  • A cena do Trem-Bala no hospital foi muito engraçada. Hahaha!
  • Que bom que mudaram uma cena aí na adaptação. Seria muito pesada para a TV (clique por sua conta e risco pois SPOILERS);
  • O final não foi o que eu esperava, mas foi satisfatório até, e deixa um interessante gancho (ou mais) para a segunda temporada.

O que eu não gostei:

  • Do arco da Rainha Maeve. Eu fiquei esperançoso de que talvez ela fosse ter uma redenção, mas acabou que ela foi uma fdp como todos os outros dos Sete. Espero que isso mude na próxima temporada (a série já foi renovada);
  • O personagem Black Night. Entrou mudo e saiu calado. Como não li os quadrinhos, não sei qual é a dele, mas poderiam ter explicado porque ele não fala nada rs;
  • O ritmo de The Boys é alucinante em todos os primeiros episódios, mas dá uma caída nos dois últimos. Até que não foi tão ruim assim e não prejudica a experiência, mas poderiam ter sido mais divertidos.

Recomendo a série. Curta e necessária. Se você tem mais de 18 anos, aprecie essa maravilhosa série!

Título original: “The Boys”.
Ano de estreia: 2019.
Criado e produzido por: Eric Kripke, Evan Goldberg e Seth Rogen.
Duração: 8 episódios de +/- 60 minutos cada.
Nota do Gilga: 9,5.

[Resenha] Doom Patrol – 1ª temporada

Enquanto a Warner vai indo mal nas adaptações ao universo da DC nos cinemas (principalmente se comparado à sua maior concorrente, a Marvel), as séries de TV baseadas nos super-heróis da editora do Superman vão indo bem, obrigado, principalmente se nos referirmos à mais recente leva.

Depois de uma inovação e um relativo sucesso com Titans (resenha aqui), a mais recente série baseada na pouco conhecida superequipe Patrulha do Destino, Doom Patrol estreou em fevereiro no canal de streaming DC Universe. O programa, que tem um apelo muito semelhante aos quadrinhos da Era de Ouro, mostra o grupo montado pelo cientista Niles “Chefe” Caulder (Timothy Dalton): Larry “Homem-Negativo” Trainor (Matt Bomer na voz e forma humana, e Matthew Zuk como Homem-Negativo sob as bandagens) um piloto de testes gay que ficou desfigurado após um acidente e foi “possuído” por um ser feito de energia pura; Rita “Mulher-Elástica” Farr (April Bowlby), uma ex-atriz dos anos 1950 que se transforma numa meleca quando sente emoções negativas; Crazy Jane (Diane Guerrero), uma mulher com transtorno dissociativo de identidade e que possui 64 (!!!) personalidades diferentes e cada uma com um poder (olá, Legião); Cliff “Homem-Robô” Steele (Brendan Fraser na voz e forma humana, e Riley Shanahan como o Homem-Robô propriamente dito), um ex-piloto de Nascar que sofreu um acidente e teve seu cérebro transplantado num corpo robótico; e, por fim, Ciborgue (Joivan Wade), que eu não sei porque não foi usado em Titans e tá nessa equipe, mas beleza.

Vamos aos pormenores:

O que eu gostei:
– A série é diferente de tudo o que já vimos até então nas baseadas em quadrinhos: instigante, divertida, malucaça, nonsense, adulta (com violência explícita e sexo) e com apelo LGBT;
– Bom ver Brendan Fraser de volta depois de tanto tempo sumido. Acho que foi um bom retorno aos holofotes pra ele;
– Como os heróis são atormentados por seus passados trágicos (como eles são FODIDOS, mds!) e como eles conseguem cativar o público (pois carismáticos) por serem tão humanos. Eles não tem nada de super-heróis e nem estão sequer preparados, mas o destino os une como uma família doida para fazerem o que é certo;
– A boa surpresa foi a Diane Guerrero (de Orange is the New Black) interpretando uma personagem com múltiplas personalidades e trocando a atuação em questão de segundos. Crazy Jane é um espetáculo à parte;
– Como falei ali em cima, da boa representatividade LGBT da série. Que bom que temos o Matt Bomer (que é gay) interpretando um personagem gay (a sexualidade foi trocada na transição dos quadrinhos para a série) – mesmo este tendo uma manjada história triste – e o produtor Greg Berlanti, também gay e responsável por todo o Arrowverse e que sempre dá um jeito de encaixar um personagem LGBT nas séries para nos representar;
– O Ciborgue do Joidan Wade tem muito mais profundidade e carisma do que o do Ray Fisher no filme da Liga da Justiça (resenha aqui);
– O vilão “engraçadinho” que abusa de metalinguagem e referências à quarta parede;
– Aliás, o visual do Sr. Ninguém (Alan Tudyk) é muito foda;
– Os plot twists;
– Os efeitos especiais (alguns, pois a maioria eram toscos como o padrão de sempre da Warner) e práticos (próteses do Ciborgue e corpo do Homem-Robô) estão muito bons;
– A abertura é show!

– Trilha sonora foda e inesquecível;
– Os episódios da Rua Danny (com Matt Bomer cantando uma música a la Born This Way no karaokê) e do flashback do Niles Caulder perdido no Canadá são os meu preferidos;
Flex Mentallo (Devan Chandler Long) e seus poderes esquisitos (e o que foi aquela cena no episódio 13?? kkkkk).

O que eu não gostei:
– O último episódio foi doido demais e exigiu muita suspensão de descrença de mim e não rolou;
– Alguns clichês da Era de Ouro dos quadrinhos – vilões estereotipados, ficção científica mirabolante, planos sem sentido etc -, que foram usados propositadamente e em excesso, chega uma hora que cansa;
– Quinze episódios até que é um número ok porém ficou meio extensa a trama. Acho que tudo poderia ter se resolvido em menos episódios.

Resumindo, a Patrulha do Destino é muito divertida e recomendadíssima, e mesmo quem não conhece o quadrinho – praticamente o meu caso também, que mal e mal sabia uma coisa ou outra – vai se entreter muito, apesar de uma certa e estranha familiaridade (“Acho que eu já vi essa série antes”) pelo material ser parecido com os X-Men originais dos quadrinhos e The Umbrella Academy (resenhas da HQ e da série), porém a Patrulha foi lançada antes nos quadrinhos.

Título original: “Doom Patrol”.
Ano de estreia: 2019.
Criado e produzido por: Jeremy Carver, Geoff Johns, Greg Berlanti e Sarah Schechter .
Duração: 15 episódios de 45 a 60 minutos cada.
Nota do Gilga: 9.

[Resenha] The Fate of Atlantis (DLC de Assassin’s Creed Odyssey)

Nove meses depois (mas parecem anos) e eu ainda estou jogando Assassin’s Creed: Odyssey para PS4 (mozão já chama carinhosamente de “crackinho” rs). Além de ser um game viciante, Odyssey tem conteúdo novo constante, com quests diárias e semanais, mais as chamadas Lost Tales of Greece (“Contos Perdidos da Grécia”), que são lançadas a cada três semanas (se não me engano), e mais as DLCs (pra quem comprou a season pass), que foram seis, sendo duas histórias divididas em três partes: a primeira, The Legacy of First Blade (“O Legado da Primeira Lâmina”), a qual eu não resenhei mas achei boa (spoiler: tirando esta controvérsia), pois aprofunda na história do personagem principal; e a segunda, The Fate of Atlantis (“O Destino de Atlântida”), cuja última parte foi lançada no último dia 16.

Começou um pouco frustrante porque a história não começa em Atlantis/Atlântida propriamente dita, e a premissa é meio bobinha. “Alexsandra” (vou chamar o protagonista assim, misturando os nomes de Alexios e Kassandra rs) precisa acessar simulações (olá, Matrix!) de mundos criados pelos Isu (ou Os Precursores) para aumentar o poder do artefato que ela herdou do pai. O primeiro desses mundos é Elísio, o paraíso da mitologia grega. É um mundo lindíssimo, todo florido e sempre ensolarado. Lá você encontrará personagens Isu com nomes de divindades gregas, como Perséfone (a regente de lá), Hermes e Hécate, e se envolverá numa intrigante história de resistência, romance e traições, e onde acontece um encontro inusitado e emocionante para Alexsandra;

O segundo mundo é o Submundo, o pior dos além-vida dos gregos, mundo enevoado, sinistro e com um por do sol constante. Lá, Alexsandra irá interagir com figuras como Hades, Caronte e basicamente todos os bandidos que ela matou, fora algumas figurinhas da Grécia (mais) Antiga (ainda) e mitologia, o que, de cara, eu já achei bem empolgante. A primeira batalha é contra um chefe fodido que penei pra vencer. E aqui também tem muita emoção com outro reencontro aí que não vou falar qual é;

E, por fim, o terceiro mundo, Atlântida propriamente dita, mundo este regido por Posseidon. A cidade é lindíssima (acho que o cenário mais estonteante e bem elaborado que já vi num game), com um visual que mistura Antiguidade com alguns conceitos que nem consigo descrever, mas é aquilo que parece magia mas é só tecnologia além da nossa compreensão. Neste mundo, Alexsandra experimenta o outro lado do poder, mas se envolve em muitas confusões, como sempre. O chefão final é visualmente muito bem bolado, sinistrão e difícil pacas. E o destino de Atlântida… Bom, aí você vai ter que jogar pra saber. Mas no meu ver, não foi lá grandes coisas, achei um pouco anticlimático. Mas fora isso, a DLC toda (as três partes) trazem MUITO conteúdo e é bem divertida, aprimorando a experiência com Odyssey, trazendo equipamentos e entalhes mais poderosos para Alexsandra, e enriquecendo a mitologia da saga Assassin’s Creed ao mostrar mais dos Isu.

Ubisoft tá de parabéns pela criatividade desse conteúdo, de um modo geral, e com o todo o jogo em si. Vou ali jogar mais 200 horas.

Jogo: Assassin’s Creed Odyssey (resenha aqui).
DLC: The Fate of Atlantis (3 partes).
Lançamento: 16 de julho (parte final).
Plataforma: PlayStation 4.
Nota do Gilga: 8,5.

[Resenha] Stranger Things – 3ª temporada

Nascida em 4 de julho, a 3ª temporada de Stranger Things chegou com tudo. Novos personagens, novas tretas, monstros maiores e muita confusão com a molecada da pequena cidade fictícia de Hawkins. E caraio, como essas crianças CRESCERAM! OK, que a gente até entende como funciona a adolescência, mas alguns deles ali tomaram fermento!

Vamos ao que interessa:

O que eu gostei:
– Um ano pra lá de movimentado. No quarto episódio, as crianças já ficam cara a cara com uma das ameaças da série no maior clima tenso e emocionante. E graças à Deus Netflix que as temporadas de Stranger FINGS têm só 8 episódios, pois assim a trama “corre” sem necessidade de “fillers” e enrolações em geral;
– Gostei dos novos personagens, principalmente Erica (Priah Ferguson), a irmã do Lucas (Caleb McLaughlin) – ok, ela tá na série desde o começo, mas só agora ela participou DE VERDADE – e Robin (Maya Hawke), colega do Steve (Joe Keery) na sorveteria. As frases da Erica vão entrar pra história dos memes;
– A amizade de Eleven (Millie Bobby Brown) e Max (Sadie Sink). Meninas, contem comigo pra tudo!
– Eleven usando seus poderes. Impetuosa, visceral, avassaladora. Uma Jean Grey que, ao invés de ser treinada pelo Professor X, foi pelo Magneto;
Dustin (Gaten Matarazzo) e [SPOILER] e, posteriormente, Lucas e Max – para debochar do primeiro casal – cantando o tema de História Sem Fim (que aliás, é uma música incrível, na minha opinião). Ri horrores Hahahaha!
– Ainda bem 🙌 que não foderam com a vida do Will (Noah Schnapp) de novo! Eu não ia aguentar mais uma temporada com ele sofrendo outra vez;
– Em como a cidade virou uma loucura por causa daquele shopping. Coisas boas e (muito) ruins vieram dali. Me lembrou um pouco Torre de Babel (risos);
– O Exterminador do Futuro 👍 (entendedores entenderão);
– Excelentes efeitos especiais (valeu a pena cancelar Sense8, assim sobrou mais dinheiro pra Netflix caprichar em ST rs).

Não consigo mais tirar da cabeça que disseram no Twitter sobre o Billy (Dacre Montgomery) parecer o filho do Zac Efron com o Jared Leto que nunca tomou banho desde que nasceu (risos).

O que eu não gostei:
– O namoro de Mike (Finn Wolfhard) e Eleven. PLMDDSSSSSSSSSSS que coisa chata e grudenta! Vão jogar RPG e larguem mão disso, pois vocês são bebês ainda! Hehe;
Hopper (David Harbour) macho tóxico, escroto e fedido a cigarro do caralho!
– Eu tava esperando a Oito (Linnea Berthelsen) aparecer. Não foi dessa vez 😢
– Essa temporada tá bem nojenta (ajudado pelos ótimos efeitos especiais). Cuidado, estômagos fracos.

Apesar de já cansado um pouco da fórmula da série – a ameaça vinda do Mundo Invertido que deixou algo pra trás e virou a ameaça na 2ª temporada que deixou algo pra trás de novo etc – foi um bom ano. O final – excetuando a cena pós-créditos (sim) – deu um bom desfecho na série, amarrando a maioria das pontas soltas e dando destinos “satisfatórios” a todos os personagens. Eu, por mim, encerrava aí, numa trilogia mesmo. Mas vai saber, né. A Netflix não larga assim tão fácil suas galinhas dos ovos de ouro…

Título original: “Stranger Things”.
Ano de estreia: 2019.
Criado e produzido por: Irmãos Duffer.
Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Cara Buono, Noah Schnapp, Sadie Sink, Joe Keery, Dacre Montgomery e Maya Hawke.
Duração: 8 episódios de +/- 55 minutos cada.
Nota do Gilga: 8,5.