[Atualizado] Precisamos falar sobre a toxicidade dos gamers

A polêmica no Twitter BR entre ontem e hoje foi sobre a treta com a Gabriela Cattuzzo – que até então eu não conhecia -, uma streamer que, após sofrer discriminação num game online de um homem, desabafou, putaça e com razão, no Twitter, afirmando que homens são lixo, sofreu uma avalanche de ataques, de homens que vieram com o famigerado “nem todo homem”, insultos e ameaças de morte – caralho, os caras pegam pesado – e, ao descobrirem que ela é patrocinada pela Razer, empresa brasileira de periféricos de PC, os babaquinhas encheram o saco da mesma no Twitter até que a empresa soltou essa nota vexaminosa:

Ou seja, ao invés dos caras aproveitarem a polêmica para tentar tornar o universo gamer um pouco menos tóxico, eles optaram pelo caminho mais “fácil” (e mais rentável) e defenderam os agressores da Gabi, prometendo não renovar o contrato com a streamer alegando que ELA é quem praticou discriminação. “Totalmente contrária a qualquer tipo de discriminação” uma ova! As minas sofrem todo o tipo de assédio, discriminação e ódio TODOS OS DIAS (e isso é uma realidade das gamers, só perguntar) e daí quando são os hominhos que não sabem receber uma crítica e fazer uma inflexão sobre o comportamento masculino (online e offline), a Razer preferiu defender os homens machistas, que infelizmente são a maioria de seus clientes.

Link para matéria da notícia: Gamer perde contrato com marca após acusação de ‘preconceito contra homens’.

Separei alguns tweets que expressam bem o que eu penso sobre o caso da Gabi:

“O pau dele caiu porque uma mulher escreveu palavras na internet”.
Total! Ah, se eu fosse concorrente da Razer…

Lembro de uma certa feita em que a Bruna Penilhas, da IGN Brasil, sofreu ataques após escrever um artigo de um jogo, onde os caras chegaram até a pedir o “currículo gamer” dela – no caso, a conta do PSN, só pra verificarem se ela era “gamer” mesmo, se jogava de fato ou só fingia pra falar “mal” dos games no portal. Obviamente ela não deu – e com razão – para evitar que a procurassem online nos games e assediassem ela, mas isso é uma coisa que acontece direto com mulheres gamers.

E não são só as mulheres que sofrem com a toxicidade dos gamers, crianças também, independente do sexo. Coincidentemente na semana passada, nos EUA, rolou o caso do Jake McDermott, um garoto que deve ter uns 10 anos (não consegui confirmar a idade dele) – e que também é um ator-, e que sofreu ataques de haters (maioria de gamers) em sua conta de Instagram após ele criticar, em vídeo, o hype em cima de Keanu Reeves e de Minecraft. As pessoas são obrigadas a gostar do que vocês gostam? E nem uma criança os caras perdoam, e o Jake sofreu tanto ódio – inclusive ameaças de morte – que teve que se desculpar publicamente, mas olha só esse exagero. A que ponto chegamos, minha gente. O respeito online é ZERO.

Resumindo o post: dizem que mulher é o “sexo frágil”, que é sensível e chiliquenta, mas homens vivem tornando a vida delas nos games (e fora deles também) um inferno, daí quando uma mina não aguenta mais e explode dizendo que homem é lixo (não tá errada), pensa num bicho frágil e chiliquento. No fim, os homens provaram que Gabi estava certa: são lixo mesmo. Preconceito contra homem cis é o mesmo que racismo reverso e “cristofobia”: não existe.

Por favor, homens: façam terapia e aprendam a tratar de forma minimamente decente as mulheres, pois do jeito que tá, a comunidade gamer só tem a perder com tanto ódio. Vamos criar um ambiente saudável para todos, incluindo crianças, mulheres, negros e LGBTs, para aproveitarmos os joguinhos que deveriam nos divertir, entretanto a experiência infelizmente passa a ser estressante e, muitas vezes, traumática, e depois, quando os conservadores disserem que games são os culpados pela violência – eu nunca esqueço do caso dos atiradores de Suzano/SP, inclusive bem recente – a gente ter algum argumento sólido para defender nossa comunidade, beleza?

Pra ter um pouco de paz, Gabi foi obrigado a fazer isso, fora que ela perdeu o patrocínio dos arrombados da Razer, né.

[Atualizado] Segue vídeo postado em janeiro deste do Pipocando Games jogando CS:GO com uma menina e pegando as reações dos meninos online. Uma experiência social bem interessante:

[Atualização 2] Apareceu na minha timeline esta arte da Maryne Lahaye, que eu acho que traduz bem o argumento contra a frase “Nem todos os homens”:
“Nós sabemos que não são TODOS os homens, héteros, brancos etc, mas são MUITOS. É o BASTANTE. E você se ofendendo mais com a sugestão que MUITOS dos seus iguais podem ser maus do que pelo dano que eles causam DE VERDADE… Faz você parte do problema.”

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O casal lésbico de Deadpool 2 e a falta de representatividade LGBT nos filmes de heróis

Então, discretamente e sem muito alarde, Deadpool 2 mostrou o primeiro casal assumidamente LGBT em filmes de super-heróis, as personagens Negasonic (Brianna Hildebrand) e Yukio (Shioli Kutsuna). Negasonic – introduzida no primeiro filme da franquia – apresenta Yukio (que na verdade deveria se chamar Noriko Ashida, a Faísca dos quadrinhos, sendo que Yukio é outra personagem, mas enfim…) ao Deadpool como sendo sua namorada, feito inédito até então neste gênero de filme.

Tivemos dois casos em dois filmes recentes onde quase isso aconteceu antes: em Thor: Ragnarok (2017), onde Valquíria (Tessa Thompson) teria um caso com outra valquíria, mas isso só ficou (muito) subentendido no flashback da personagem; e em Pantera Negra (2018), um filme que foi um grande marco para a representatividade da comunidade negra, teve uma cena cortada onde era sugerido que Okoye (Danai Gurira) teria um caso com outra membro da guarda real Dora Milaje chamada Ayo (Florence Kasumba).
Essas cenas foram cortadas por medo da recepção do público, já que estavam em filmes de classificação indicativa menores que a do Deadpool 2 (que inicialmente era de 18 anos mas que por decisão judiciária, foi reduzida para 16 no Brasil) ou por covardia? Será que só vamos ter um LGBT em filmes de classificação 18 anos? E ainda mais: esse casal LGBT aparece num filme que é basicamente uma história nonsense que não pode ser levada muito a sério (apesar de as personagens serem de um núcleo mais sério, não é como a “pansexualidade” do Deadpool que só existe para fins de piadas)?

O casal de Deadpool 2 é um marco, mas queremos mais, e com personagens LGBTs de todos os tipos, mais abertamente, com profundidade e em filmes mais “sérios” e de diferentes classificações indicativas, queremos um protagonista LGBT (seria meu sonho um filme dos Jovens Vingadores com o casal Wiccano e Hulkling? ♥), pois isso é importante para a nossa representatividade, assim como acontece nas séries de TV (como já falei com o que acontece em Supergirl, por exemplo), pois quanto mais exemplos de LGBTs tivermos (também) nos cinemas, mais haverá uma sensibilização das massas para a causa, e que esses exemplos irão ajudar de alguma forma o público LGBT que esteja passando por dificuldades para se aceitar ou para se abrirem com família e amigos, lançando luz para este assunto que em muitos comunidades – mesmo em pleno século XXI e com alguns direitos conquistados, principalmente no Ocidente – ainda consideram como tabu. Que venham mais super-heróis/personagens LGBTs!

17 de maio: Dia Internacional de Combate à Homofobia, Transfobia e Bifobia

17deMaio

“Hoje é o Dia Internacional de Combate a Homofobia, Transfobia e Bifobia. A data foi escolhida porque marca o dia em que a OMS tirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças em 1990. A cada hora um gay sofre violência no Brasil. Nosso país é o que mais mata transexuais no mundo. Lésbicas ainda têm que enfrentar o machismo. Quem está doente se não a sociedade, que é responsável por situações como essas? A homofobia mata, qualquer tipo de preconceito mata. Hoje e sempre essa luta é de todos nós. Para combater a violência física e mental que diariamente fere e mata a integridade e direitos de pessoas. Mais empatia e mais respeito, é tudo de que precisamos para que o amor sempre vença.”

via Leandra Leal no Twitter.

E fiquem com este maravilhoso tweet com gif comemorando a data, com dados históricos e biológicos:

[Atualizado] O nome correto da data é “Dia Internacional de Combate à Homofobia, Transfobia e Bifobia”. Corrigi apenas no título porque a imagem já estava pronta.

Novembro Azul

coroa azul

“O Instituto Lado a Lado pela Vida realiza, pelo quarto ano consecutivo, o Novembro Azul em todo Brasil. A campanha, idealizada pela instituição, é referência na missão de orientar a população masculina a cuidar melhor da saúde e procurar o médico com mais frequência. No ano passado, a mobilização para conscientizar sobre o câncer de próstata realizou mais de 1400 ações em todo o País, com a distribuição de cinco milhões de folhetos informativos em 23 Estados e no Distrito Federal.
Em 2015, centenas de ações ocorrerão em várias cidades do Brasil. Estão previstos Circuitos da Saúde, palestras em empresas para conscientizar os funcionários sobre a importância da prevenção, ações em estradas, estádios de futebol e locais públicos de grande circulação, além da iluminação de vários monumentos públicos de azul. Uma sessão solene será realizada no Congresso Nacional em homenagem à iniciativa do Instituto Lado a Lado Pela Vida, para celebrar a data e fomentar discussões para que a política de atenção à saúde do homem seja definitivamente implantada.
“Neste ano criamos um novo portal, o www.novembroazul.com.br, com um leque maior de informações e uma nova identidade visual. Queremos que o homem preste mais atenção à sua saúde e por isso teremos eventos e ações diversas para criarmos um forte impacto nesse público”, explica a presidente do Instituto Lado a Lado, Marlene Oliveira.
O Comitê Científico da campanha também cresceu e conta com especialistas em áreas diversas além da oncologia e urologia, como fisioterapeutas, nutricionistas e sexólogos para atender todas as dúvidas.
Haverá, ainda, uma série de vídeos educativos do Dr. Dráuzio Varella, abordando o tema de forma clara e direta.

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, que pesa cerca de 20 gramas, de forma e tamanho semelhantes a uma castanha. Ela localiza-se abaixo da bexiga e sua principal função, juntamente com as vesículas seminais, é produzir o esperma.

O câncer de próstata é o tumor mais frequente no sexo masculino, ficando atrás apenas dos tumores de pele, e o sexto tipo mais comum no mundo segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer).
A cada seis homens, um é portador da doença. A estimativa do INCA é de que, por ano, 69 mil novos casos sejam diagnosticados, um caso a cada 7,6 minutos.

A doença pode demorar a se manifestar, exigindo exames preventivos constantes para não ser descoberta em estágio avançado e potencialmente fatal. Os exames consistem na dosagem sérica do PSA e no exame de toque retal, que são complementares, pois cerca de 20% dos casos não são detectados pelo PSA.

A recomendação é que homens a partir de 50 anos procurem um urologista para realizar os exames preventivos anualmente. Indivíduos com história familiar de câncer de próstata, da raça negra, sedentários e obesos devem iniciar a prevenção a partir dos 45 anos, pois possuem maior risco de desenvolver a doença.

Quando diagnosticada precocemente as chances de cura da doença são de, aproximadamente, 90%.”

Fonte: www.novembroazul.com.br

Blog Action Day 2015: Erga Sua Voz #BAD2015 #RaiseYourVoice

BAD2015
Explicando o Blog Action Day: é uma ação organizada pelo grupo change.org e que ocorre uma vez por ano, envolvendo blogueiros em todo o mundo, e todos se unem para falar de um mesmo assunto importante, escolhido previamente. Neste ano o tema é Erga Sua Voz (#RaiseYourVoice), explicado a seguir:

Todos nós temos o poder de criar o mundo que nós desejamos ver quando erguemos nossas vozes online. Contudo, muitos de nossos blogueiros parceiros, jornalistas e escritores, cada publicação que eles compartilham trazem grande risco pessoal. Em 2015 temos visto ataques sem precedentes a aqueles que publicam suas ideias online.
No Blog Action Day deste ano nos celebramos esses heróis que erguem sua voz quando encontram censura, ameças e violência. Nós vamos erguer nossas vozes para defender o direito deles de erguer suas vozes.

É inegável que, com o advento e popularização da internet, muitas vozes, antes silenciadas pelo anonimato, ganharam espaço para serem livres para falar o que querem, mas em muitas partes do mundo, onde não há democracia ou quando ela não é forte o bastante, essas pessoas – sendo elas jornalistas, escritores, blogueiros ou até mesmo pessoas comuns em suas redes sociais – são impedidas de exercer um direito básico do ser humano, o de ir e vir.

As redes sociais foram ferramentas fundamentais na chamada Primavera Árabe, iniciada em 2011 em parte do mundo árabe e que resultou em revoluções na Tunísia e no Egito, e em guerra civil na Líbia e na Síria, afim de tentar conter a censura e a repressão.

Um exemplo recente e semelhante no Brasil aconteceu durante os protestos iniciados em 2013, onde, no Twitter e no Facebook era possível de acompanhar relatos de pessoas envolvidas nas manifestações – direta ou indiretamente – relatando os acontecimentos, principalmente sobre a violência e os excessos praticados pelas forças policiais (principalmente) e também por vandalismo civil. Se não fossem as redes sociais, o que saberíamos desses ocorridos seria o que foi dito pelas mídias tradicionais – TV e imprensa – que todos sabemos que são parciais e tendenciosas (de direita).

Outro exemplo que posso usar foi o que ocorreu em Minas Gerais entre 2003 e 2010 durante o mandato de Aécio Neves quando ele cerceou e por muitas vezes censurou a imprensa mineira. Há muito tempo lá se sabia da construção do aeroporto particular administrado por um parente do atual senador feito com dinheiro público, mas só foi divulgado muito tempo depois durante a corrida eleitoral no ano passado. Isso sem contar dos processos de Aécio contra o Google e outros sites de buscas onde ele exigia que fossem removidos links que vinculavam seu nome aos termos “uso de entorpecentes” e de que desviou dinheiro da saúde pública mineira (spoiler: ele perdeu as ações na justiça).

Um dos itens defendidos pelos Direitos Humanos é a liberdade de imprensa, e com ela sempre devemos ter acesso à toda e qualquer informação imparcial, doa a quem doer (ou, pelo menos, deveria ser assim no Brasil, né).

P.S.: Leia as minhas participações em 2010, 2011, 2013 e 2014.

Outubro Rosa

A campanha de conscientização contra o câncer de mama, conhecida como Outubro Rosa, é realizada por diversos entidades, no mês de outubro, e dirigida à sociedade, em especial às mulheres. Entre os temas do movimento, está a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.
O nome da campanha remete à cor do laço que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades: o rosa. Durante o período, monumentos por todo o país se iluminam com essa mesma cor.
O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e, apesar de também atingir os homens, as mulheres, acima de 35 anos, são o principal alvo.

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) orienta que todas as mulheres conheçam seu corpo e sempre que possível, seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano, façam o autoexame das mamas. Segundo o Inca, não há técnica específica para a autopalpação e deve se valorizar a descoberta casual de pequenas alterações mamárias durante o toque.
De acordo com o instituto, há elevado percentual de cura quando o câncer de mama é identificado em estágios iniciais, quando as lesões são menores de dois centímetros de diâmetro.

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de promover a conscientização sobre a doença e compartilhar informações sobre o câncer de mama.

Desde 2010, o INCA participa deste movimento, promovendo espaços de discussão sobre o controle do câncer de mama e divulgando e disponibilizando seus materiais informativos, trazendo qualidade para o debate, tanto para os profissionais de saúde quanto para a sociedade.

Fonte: EBC.