[Resenha] Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Depois de muitos adiamentos devido à pandemia, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é o primeiro filme do Marvel Studios a chegar exclusivamente nos cinemas, incluindo o Brasil. Pra quem não conhece o personagem, Shang-Chi é mais conhecido como Mestre do Kung Fu nos quadrinhos, e foi criado em 1973 por Steve Englehart e Jim Starlin, nascido durante o hype de séries de artes marciais e praticamente um Bruce Lee da Marvel. Sempre foi um personagem de segundo escalão da editora e estava sempre envolvido com o lado mais urbano e “pé no chão” da Marvel, e só recentemente ganhou mais notoriedade, inclusive se tornando um membro dos Vingadores. Mas como um personagem desses ganhou um filme Disney/Marvel e como foi sua entrada no MCU? Vem comigo que eu conto:

😃 O que eu gostei:
– Shang-Chi claramente é uma tentativa da Disney agradar seu público chinês, responsável por uma das maiores fatias na bilheteria mundial, e tudo foi pensado em agradar este público, desde o cuidado ao usar a figura do dragão — que é um animal sagrado para os chineses — até o fato de que boa parte dos diálogos do longa serem em chinês. Aliás, achei muito corajoso do filme ser assim, e já começar em chinês (para o terror do público estadunidense, que tem pavor de legendas), e só deixar um ou outro diálogo em inglês devido à presença da personagem de Awkwafina, pelo fato de ela não saber falar a língua asiática e servir meio como um avatar do público não-chinês, que caiu de paraquedas no país e em meio a lendas do folclore chinês.
Simu Liu é extremamente carismático e um exímio lutador, o que proporcionou belas cenas de lutas sem cortes (pois não precisavam de dublês) e, assim, nos brindando com cenas de ação eletrizantes, viscerais e mais “realistas”. O menino era só um modelo de bancos de imagens e acabou virando o primeiro protagonista asiático do MCU. Merecido!
– Por falar em Awkwafina, a personagem dela é demais (apesar de ter sido inventada exclusivamente para o filme). Eu pensei que ela iria acabar interpretando ela mesma, mas no fim não é só uma personagem só engraçada e alívio cômico (o filme tem outros), mas complexa e até com uma carga dramática também;
– Apesar dos pesares, gostei da volta DAQUELE personagem de Homem de Ferro 3. Não é a coisa mais inteligente que a Marvel já fez nos cinemas, mas pelo menos foi engraçado pra caramba. E os pedidos de desculpas tanto pelo “Mandarim” do filme de 2013 do Homem de Ferro, quanto pelo nome do vilão utilizado nos quadrinhos. A Marvel tentando se livrar das atitudes racistas dela;
Michelle Yeoh MARAVILHOSA!
– Sobre o vilão, um lance interessante é que ele não é o estereótipo malvadão, que só quer poder (se bem que sim, por mil anos antes, o que motivou ele foi sim o poder), mas sim, um vilão que “amava demais” haha!
– De todos os seres mitológicos que aparecem no filme, o que eu mais gostei foram aqueles “cães-leões” (conhecidos como shishis).

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😠 O que eu não gostei:
– A trama num modo geral. Sem maiores spoilers, por dois motivos: 1) porque é a Jornada do Herói básica, e 2) porque viajou demais. Não precisava usar todos aqueles elementos fantásticos na história de origem do herói, fora que aquilo é meio coisa do Punho de Ferro (outro personagem, que já teve duas temporadas na Netflix e agora tem os direitos de volta à Disney, ao lado de Demolidor, Luke Cage e outros). Eu até entendo os motivos dos roteiristas mas não acho que caiu bem, sabe?
– Outra coisa que eu entendo as escolhas mas não aceito é Wenwu (Tony Leung). OK que a Marvel não pode usar Fu Manchu (que é um personagem da literatura britânica), o nome original dos quadrinhos, e nem o Mandarim tradicional, vilão dos dez anéis e inimigo do Homem de Ferro. Wenwu é, ao mesmo tempo, os dois personagem e nenhum deles, se tornando uma coisa nova. Fora aqueles “anéis” né. Já foi explicado que os anéis não serem anéis tradicionais porque ficariam visualmente parecidos com as Joias do Infinito, que já aparecerem no MCU, e por isso viraram argolas, mas foda é que elas só eram artefatos genéricos de poder, sem a personalidade individual que possuem nos quadrinhos (nas HQs, cada anel tem um poder e literalmente uma personalidade diferentes, cada um sendo a consciência de um guerreiro cósmico). Além disso, o subtítulo do filme é “A Lenda dos Dez Anéis”, mas se quer mostraram como e onde Wenwu os encontrou, e a história já começa com ele de posse dos objetos. Mas tirando esses detalhes, o Tony Leung é maravilhoso e também tem muita presença de tela;

Apesar das minhas ressalvas, acho que Shang-Chi um filme importante pela representatividade, e divertido até, e apesar de não ter funcionado tão bem para mim, enquanto fã dos quadrinhos, mas com certeza é muito mais divertido tanto pros espectadores casuais quanto para os fãs do restante do MCU.

Notas (máxima 5):
Roteiro: ✏️✏️✏️
Elenco: 👏👏👏👏
Visual: 💡💡💡💡💡
Diversão: 😄😄😄😄
Relevância: 💜💜💜💜
Nota Final: 4,0

Título original: “Shang-Chi and The Legend of the Ten Rings”.
Ano: 2021.
Diretor: Destin Daniel Cretton.
Elenco: Simu Liu, Awkwafina, Meng’er Zhang, Fala Chen, Florian Munteanu, Benedict Wong, Michelle Yeoh e Tony Leung.
Duração: 132 min.

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