Os últimos de nós contra os gamers “conservadores”

Eu estava me segurando para não ter que falar no blog sobre isso, até porque eu não joguei nenhum dos capítulos da série, e sei da trama por alto só, mas tenho visto TANTA COISA negativa sobre certos gamers (não de pessoas que eu sigo, pois deus me dibre seguir gente assim, mas através de prints publicados pelo perfil de humor Nerd Boomer Images principalmente) em relação ao jogo, que me senti na obrigação de falar. Agora a porra ficou pessoal.
Desde meses antes do lançamento de The Last of Us – Part II (no último dia 19) já ocorreu um XORORÔ por parte dos gamers preconceituosos por conta do primeiro trailer ao revelar que a personagem Ellen seria não apenas gay, como também teria uma namorada, a Dina. Mas a choradeira piorou nos últimos dias, com gente reclamando de “lacração”, que “estragaram” a história do jogo, de gente que só queria chegar em casa pra jogar o game e “fugir da realidade” e encontrar um arco-íris pintado no chão (!!!) e se ofender com isso, de gente incomodada com uma pichação escrito “fascistas” (só um tipo de pessoas se incomoda em ser chamada de “fascista”. Dica: começa com F), bombardear sites de avaliação com notas baixas para o jogo, e de pessoas que chegaram ao CÚMULO de comprar uma cópia física de TLoU2 só pra QUEBRAR e publicar a foto disso na internet (tão ESPERTOS, dando dinheiro pro jogo ao qual são contra, uau!). Não vou linkar nada disso aqui pra não dar palco pra maluco, vocês que procurem aí se tiverem estômago, mas vou tentar desconstruir aqui algumas barbaridades que foram ditas e feitas contra o jogo.

“Gamers nos anos 1980/90: Zerei 32 jogos numa semana sem truques e este jogo Tomb Raider parece legal.
Gamers em 2020: Tem uma garota neste jogo”.
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  • Pra começar, TLoU2 não é só sobre lésbicas. É sobre pessoas tentando sobreviver ao mundo pós-apocalíptico enfrentanfo monstros – humanos ou não. Aliás, taí uma das mensagens do game (bem como de outras ficções com zumbis ou criaturas do tipo): os piores monstros somos nós, as pessoas, inclusive alguns entram na internet pra destilar ódio contra mulheres, LGBTs e outros grupos marginalizados, por não aceitarem que eles existam, nem mesmo em games ou qualquer mídia que eles consomem.
  • Tem gente que nem jogou o jogo e já o odeia pelo fato de ter LGBTs ou mensagens antifascistas. Ninguém tá te obrigando a jogar, filho. Se não gosta, deixa de gastar energia falando mal e vai jogar outra coisa. Tem joguinhos pra todos os gostos pra isso. Tente algo como GTA, Red Dead ou FIFA que parecem ser mais “lacre free” conforme te agrada mais.
  • E o pessoal afirmando que “estragaram” a franquia, pela inclusão de LGBTs (ou qualquer outro motivo do tipo que incomoda um “conservador”). Peraí, cara, tu jogou o primeiro game mesmo?? A Ellen já era gay lá. Claro, não era evidente, até porque ela era uma criança e não tinha porque sexualidade ser abordada, mas tava lá, subentendido. Ninguém manda ser burro por não notar. E também já havia um personagem assumidamente gay, o Bill. Porquê isso não causou todo esse furor na época?
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  • Eu respondo à pergunta anterior: é porque a personagem LGBT é a protagonista. Enquanto era um NPC (personagem não jogável), não incomodava tanto assim os boçais. “Mas agora os lacradores foram longe demais me obrigando a jogar com uma MULHER e ainda por cima GAY”. Pura misoginia e homofobia. É, definitivamente esse jogo não é pra você, e saiba que nem todo jogo tem que ser pra você, tem que ser SOBRE VOCÊ. Os jogos desde os anos 1970 foram feitos por héteros e para héteros e, agora, em pleno século XXI, que estão surgindo alguns personagens com mais representatividade, o preconceituozinho de merda quer que esses jogos sumam? Nenhum personagem, produtor ou gamer mulher, negro ou de minorias vai desaparecer só porque você é contra. Aprenda que o mundo não tem só pessoas iguais a você, que há toda uma pluralidade e que deve-se fazer com todos se sintam parte dele.
  • Gente que se ofende com um personagem LGBT ou com discurso antifascista num game, mas que se diz fã de Star Wars, X-Men, V de Vingança ou Resident Evil. Assistiu, leu ou jogou mas não entendeu nada mesmo, né. Obras que contam histórias de rebeldes contra uma ditadura, de pessoas diferentes que tentam se encaixar numa sociedade preconceituosa, ou heróis que tentam lidar contra tragédias criadas por ações inescrupulosas de megacorporações estão por aí há anos. Não é como se os governos anteriores tivessem implantado o comunismo nas escolas e só agora, com o bolsotrumpismo, que o mundo se viu “conservador” contra tudo o que está aí.
  • E, sério, ficar o dia inteiro e todos os dias fazendo memes indignados pra falar mal de um game só porque ele tem personagens e temáticas progressistas… Faça-me o favor, né. Você é burro, cara! Tá fazendo merchandising gratuito pras empresas aí. Falar mal de um produto ainda é falar sobre ele, e você tá mais ajudando os progressistas – que vão ver o conteúdo do game, se sentirem representados, e consumirem esse produto – do que chamar conservadores para boicotá-lo. Quer maior prova disso? The Last of Us 2 já é o game que mais vendeu em 24h e 76% a mais que o original, e é o mais vendido entre todos os consoles em 2020. “Quem lacra não lucra”?? Vai vendo, mané.


Deve ser dura a vida de um conservador hipócrita hoje em dia que não consegue ser feliz e se vendo ser “atacado” por todos os lados por uma parcela da população que só agora está ganhando alguma representatividade. Minha dica é: sossega esse facho aí. Economiza essa energia e, ao invés de usá-la para odiar algo que você claramente não gosta (a gente já entendeu isso depois do 20º meme de ódio) e use-a pra desfrutar do que você gosta. Deve ter algum joguinho por aí entre os 900 bilhões de games já lançados que não atinjam esse “conservadorismo” e falso moralismo (que eu sei) aí. No mundo tem espaço para todos os tipos de pessoas. Não é como se um gay entrasse na tua casa e te obrigasse a jogar o jogo. Jogue e compre só os que você quiser e deixe as pessoas serem felizes com o que elas gostam. Não parece tão difícil. Tente uma vez na vida, não vai te matar ou fazer cair o pinto.

1 comentário Adicione o seu

  1. Os “gamers” parecem não entender que os jogos não são somente atirar nos outros, ou ver mulheres seminuas,… esses reclamam tanto quando um jogo não tem uma boa história, mas quando um jogo tenta algo novo na sua história simplesmente é bombardeado assim, mas pelo menos ao que parece esses são uma minoria

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