Contos de Segunda – O Peculiar Reino de Ganimédia*

Contos de Segunda

Mais uma reprise hoje. Vamos de “O Peculiar Reino de Ganimédia”, um dos meus contos homoeróticos favoritos:

ganimedia

Um jovem de cabelos ruivos estava deitado com a cabeça sobre o peito de um homem mais velho, de cabelos e barba negros, e ambos estavam nus e suados, cobertos por um lençol em uma suntuosa cama. Tinham acabado de fazer amor. O mais velho se chamava Gorgel, e o jovem, Juliano. Gorgel nada mais era do que rei da Ganimédia, o mais próspero e poderoso reino do Ocidente. E Juliano era o seu atual conselheiro real.
– Você se lembra como nos conhecemos? – perguntou Juliano ao seu rei e amante.
– E como eu poderia esquecer, amor? – respondeu, voltando sua mente ao passado.

Dois anos atrás, no castelo do Rei Marlon, da Lavínia, o Rei Gorgel fazia sua primeira missão diplomática naquelas paragens, devido ao atual crescimento de influência que o reino lavínio tinha entre os pequenos reinados do Ocidente.
Gorgel também estava lá para tratar com o Rei Marlon uma aliança para o iminente avanço das tropas invasoras orientais. Após debater os assuntos burocráticos com o rei lavínio, Gorgel foi levado pelo mesmo ao Salão Comunal e viu o Príncipe Juliano pela primeira vez.

– Tão belo, jovem, gracioso, com seus trajes despojados, cabelos vermelhos caindo sobre a testa, exalando carisma… – descreveu o apaixonado Gorgel.
Juliano riu e replicou:
– Eu notei na hora que você não tirava os olhos de mim. Foi então que eu comecei a reparar em você e perceber que como aquele homem forte e distinto poderia ser mais interessante que qualquer rapariga que eu já havia corrido atrás no Reino de Lavínia.

Em menos de uma semana depois da visita de Gorgel, Juliano recebeu uma carta dele, onde ele descrevia o que sentia e suas reais intenções, deixando o príncipe atônito e ao mesmo tempo feliz. Marlon também recebeu uma missiva do regente da Ganimédia, solicitando a presença de Juliano em seu castelo para tê-lo como seu conselheiro real, estreitando assim os laços entre as duas nações.
Gabus, o atual conselheiro de Gorgel, foi deposto e rebaixado a duque, ganhando uma boa porção de terras como compensação, e participava de algumas reuniões dos fidalgos quando o rei precisava de opiniões diversificadas, como uma assembléia.

– E do dia em que você me nomeou arquiduque? Lembra de como Gabus ficou puto da vida? – perguntou sorrindo um nostálgico Juliano.
Gorgel gargalhou e revisitou suas memórias.

Há um pouco mais de um ano, Gorgel, cansado de esconder o que estava vivendo com Juliano, reuniu os fidalgos para anunciar que o seu jovem conselheiro era agora o Arquiduque de Senária (em homenagem ao Passo de Senária, local onde ficava a fazenda do rei e onde eles desfrutavam de seus momentos secretos), e deixou subentendido que os dois mantinham um matrimônio.
Gabus levantou-se da mesa, ofendidíssimo, e vociferou:
– Mas isso é um ultraje! Como pode o rei da Ganimédia destituir-me do posto de conselheiro real para em seu lugar colocar esse jovenzinho que mal entende da vida, e ainda por cima deitar-se com ele todas as noites como seu ele fosse sua esposa! Estamos condenados a ser amaldiçoados pelos deuses a viver sob a égide de dois reis e nenhuma rainha?
Todos os fidalgos ficaram horrorizados tanto com essas informações quanto com a ousadia de Gabus levantar-se contra o soberano. E os soldados, leais ao rei, aproximaram-se do velho exaltado, de lanças em riste. Gabus não se intimidou, e prosseguiu:
– E pelo que vejo vossa excelência real não deixará herdeiros para o trono, deixando o nosso reino à mercê de conquistadores! Eu me recuso a viver neste castelo e cuspo sobre tudo aquilo que vier do trono da Ganimédia! – concluiu o velho, cuspindo sobre a mesa.
Gorgel manteve a compostura, mas não podia esconder uma veia saliente em sua fronte, e respondeu:
– Gabus, vou lhe dar duas opções para tamanha traição e ousadia: ser decapitado ou encarcerado.

– Você teria decapitado o velho se não fosse a minha intervenção, não é mesmo, querido? – indagou Juliano.
– Era o que ele merecia por me desprezar e me humilhar diante dos outros súditos. – Gorgel usou um tom mais grave para responder.
– Jamais deixaria meu amor e senhor matar um homem por ele ser ignorante e preconceituoso, mesmo eu tendo sido ofendido no processo. – disse Juliano.
– Já matei por muito menos, amor. E na guerra ceifei muitas vidas para defender meu trono. – respondeu o rei.
– Nesse caso é diferente. E lembre-se de que foi com a minha chegada que você mudou sua política de vida, tornou-se mais justo, e até ensinou aos seus soldados que se todos os irmãos de armas ganimedianos se amassem como nos amamos, teríamos o exército mais imbatível que já caminhou sobre a Terra. – concluiu Juliano, deixando seu senhor e amante cheio de orgulho.
Depois de alguns segundos de silêncio, enquanto recebia um cafuné de Gorgel, o jovem arquiduque perguntou:
– O quê o futuro reserva para um peculiar casal de soberanos como nós, meu rei?
– Do futuro eu nada sei, amor. Só posso garantir a você um presente feliz e com muito amor. – respondeu Gorgel, beijando seu jovem amante e iniciando um novo ritual de prazer carnal.

Dez anos depois, o rei foi acordado de madrugada por um de seus mensageiros e alertado de que o exército inimigo estava a dois dias de distância, e pediu para que o alarme fosse soado e seus homens se vestissem para a batalha. O embate entre os exércitos ocorreu às margens do Rio das Névoas, e o rei, contrariado, foi acompanhado do Arquiduque de Senária ao campo de batalha.
– Jamais deixaria meu rei e amor ir sozinho à guerra. – argumentou Juliano.
A batalha foi sangrenta e durou três dias, tornado as águas do rio vermelhas com o sangue dos caídos. Ganimédia saiu vitoriosa, acossando seus invasores, e não houve festejos pela vitória, pois o Rei Gorgel e seu amado arquiduque tombaram na carnificina. Alguns soldados sobreviventes relataram que encontraram os corpos dos dois de mãos dadas. O trono da Ganimédia passou para Arman, primo e único parente vivo de Gorgel, que era fidalgo de um reino vizinho.
O rei Gorgel pode ter morrido sem ter deixado descendentes, mas foi idolatrado por séculos por ser um rei forte e justo, e a Ganimédia tornou-se um renomado reino nos livros de História de todo o Ocidente por ser peculiar sendo o único que já teve dois reis e nenhuma rainha, período pelo qual era o mais próspero de todos daquela época.

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*O nome do reino fictício foi inspirado em Ganimedes, que na mitologia grega era um mortal que, de tão belo, foi raptado pelo próprio Zeus e passou a viver entre os deuses olimpianos.

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Indicações de Séries #6 – Powers (2015)

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Resumão: “Powers” mostra uma realidade onde super-heróis são lugar-comum, e a polícia – no caso, a de Los Angeles – tem uma divisão especial que lida somente com crimes envolvendo pessoas com superpoderes (os “Powers”). Nesta divisão é onde somos apresentados a Christian Walker (Sharlto Copley), um ex-Power que perdeu os poderes e foi convidado a ser um policial, e sua parceira novata Deena Pilgrim (Susan Heyward). Quando um Power famoso é morto, eles acabam conhecendo Calista (Olesya Rulin), uma garota normal que sonha desesperadamente em ganhar poderes, nem que para isso ela tenha que dormir com superpoderosos ou usar uma droga nova, Sway, criada por Johnny Royale (Noah Taylor), um teleportador que foi amigo de Walker nos tempos de juventude e tem uma ligação perigosa com Wolfe (Eddie Izzard), o supervilão devorador de pessoas mais perigoso da cidade que está na prisão Power da cidade.
Prós:
Pessoas com poderes, que voam e usam uniformes e codinomes bizarros povoam o mundo de “Powers”, mostrando-nos de uma forma verossímil como seria para as pessoas normais lidar com super-heróis voando sobre suas cabeças ou destruindo a cidade e matando pessoas. A trama é muito boa, baseada no quadrinho homônimo de Brian Michael Bendis (criador da Jessica Jones) e Michael Avon Oeming.
Contras:
Não espere grandes efeitos especiais desta série pois eles são bem fraquinhos. Mas nada que impeça o andar da história (a não ser que você seja muito exigente).
Por que eu assisto?
 Por ser uma série baseada numa HQ com uma premissa bem interessante, com personagens e relacionamentos cativantes.

A série estreou neste ano na PSN (PlayStation Network) e tem uma temporada de 10 episódios por enquanto, mas já com uma 2ª temporada encomendada para o ano que vem, sem data definida.
Segue trailer legendado da 1ª temporada:

Garota-Retrô, Walker, Deen, Calista, Wolfe e Royalle.

Garota-Retrô, Walker, Deena, Calista, Wolfe e Royalle.

20 primeiras vezes da Marvel em “Jessica Jones”

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“Jessica Jones” do Netflix parece um programa totalmente novo da Marvel – com uma história densa e relações autênticas, e os mais perturbadores e terríveis temas que definem o universo da série não parecem estar tão distantes de nós. A série é também quase literalmente o que nunca vimos na Marvel – incorporado em toda uma série de estreias para o Universo Cinematográfico Marvel. Abaixo, apontamos 20 ideias, temas, personagens e momentos que “Jessica Jones” introduziu no MCU.
Spoilers para quem não assistiu a todos os 13 episódios de “Jessica Jones”:

1. Para começar: Primeira propriedade cinemática do universo Marvel que tem como estrela uma super-heroína (A agente Carter não tem superpoderes, não esqueçamos isso);

2. Primeiro relacionamentos gay e lésbico. Jeri e Wendy Hogarth estão passando por um divórcio tumultuoso para que Jeri possa casar com a amante, Pam. O casal gay aparentava ser bastante feliz (e ricos o suficiente para serem donos de um iate!), até que o Kilgrave os encontra, é claro.

3. Primeira citação à uma música do Kendrick Lamar. No episódio 6, Luke Cage contrata Jessica Jones para encontrar Antoine, a pedido da irmã do mesmo. Os dois eventualmente o encontram – ouvindo e cantando a música “Backseat Freestyle”. No geral, o UCM (Universo Cinematográfico da Marvel) já mostrou que seus super-heróis estão, geralmente, desconectados de referências atuais à cultura pop. O Capitão América tem aquela lista, o garotão Tony Start tem o AC/DC e o Falcão é fã da trilha sonora de Trouble Man.

4. Primeira cena de sexo do UCM. Embora personagens como Tony Stark e Peter Quill façam referências às aventuras sexuais que eles já passaram, além do fato de que o Gavião Arqueiro deve ter concebido os filhos de alguma forma, o UCM é, no geral, bem casto. Até agora nos perguntamos se o Capitão América é virgem e se o Charlie Cox do Demolidor se deu mais bem no filme “Stardust – O Mistério da Estrela” que no próprio programa dele. Em “Jessica Jones”, Luke Cage e Jessica fazem sexo quente e forte. Em outros lugares do UCM tudo que temos são beijos estilo Disney em momentos tensos e climáticos.

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5. Primeira cena de sexo entre dois super-heróis. Fora de fanfictions, é claro.

6. Primeira cena sexo oral de qualquer tipo. Novamente, fora do reino das fanfictions.

7. Primeira cabeça decepada em uma mesa. Sim, nós vimos em “Capitão América” pessoas sendo esfaqueadas, a Viúva Negra eletrocutando capangas e muitas explosões e esmagamentos. No entanto, raramente nós vemos os corpos após os eventos. Mesmo que o Demolidor tenha sido particularmente violento, Jessica Jones é de revirar o estômago. Faz sentido, considerando que a criadora e produtora executiva Melissa Rosenberg foi a principal roteirista nas 4 primeiras gloriosas temporadas de Dexter.

8. Primeira propriedade da Marvel que não começa com uma história de origem. O mistério de Jessica Jones, os traumas e poderes desdobram-se na história em um ritmo que é lento o suficiente para intrigar, mas rápido o suficiente para não se arrastar. “Demolidor” era recheado de flashbacks; Jessica Jones precisa apenas de uma cena dela adolescente esmurrando uma pia de cozinha para estabelecer os poderes dela.

9. Primeira cena de luta contra o abuso infantil. A mesma cena que estabelece os poderes de Jessica também estabelece o propósito deles: salvar Trish da mãe horrível que ela tem. Enquanto Matt Murdock conta uma história similar para o Foggy – dar uma surra em um homem que abusa a filha – é outra coisa ver o fato ocorrer.

10. Primeiro reconhecimento e uso das palavras “estupro” e “DSPT” (distúrbio de estresse pós traumático). Tony Stark teve ataques de pânico bastante realistas e terríveis em “Homem de Ferro 3”, mas ninguém nomeou o ocorrido: DSPT. Quando Jéssica claramente separa o que o Kilgrave faz e o que consentimento representa, ela também consegue separar o UCM que não reconhecem estupro e a séria dela, a qual reconhece.

11. Primeira desintoxicação. Sim, Tony Stark tem um sério problema com álcool em “Homem de Ferro 2”, mas o mesmo passa relativamente despercebido em interações futuras do personagem, por exemplo em “Os Vingadores”, quando ele bebe champanhe com Pepper Potts. Obviamente, a heroína é uma droga diferente, mas o fato que Jessica tira Malcolm do controle de Kilgrave – tanto da mente quanto o vício na droga – é outra instância de como a série não foge de coisas terríveis que, ao contrário de ataques alienígenas, realmente acontecem.

12. Primeira gravidez e primeiro aborto. Após Hope Shlottman levar uma surra na cadeia, Jessica a visita e descobre que ela está esperando um bebê do Kilgrave e está tentando livrar-se dele de qualquer jeito. A advogada dela, Jeri, eventualmente a fornece os meios para que isso ocorra.

13. Primeira tentativa bem sucedida de suicídio. Um dos personagens principais se suicida. Nós não mencionaremos que em consideração àqueles que ainda não finalizaram a série. Muitos dos personagens do UCM possuem um desejo de morte, mas raramente eles fazem algo a respeito.

14. Primeira menção de raça e racismo. Claro, todos os personagens no UCM possuem amigos negros, mas eles reconhecem o racismo que essas pessoas enfrentam? Ruben menciona isso para Jessica e ela acaba explorando isso para benefício próprio, usando Malcolm como uma distração no hospital Metro General para que ela possa entrar despercebida e conseguir a anestesia cirúrgica para usar contra Kilgrave.

15. Menção à violência policial. Falando a respeito de uma Nova Iorque realista, o policial Simpson abusa do gatilho mesmo quando não está sob o domínio de Kilgrave, chegando até a jogar o Malcolm contra uma parede. Enquanto a Trish insiste que ele é uma boa pessoa, Jessica é mais receosa, constantemente criticando o uso excessivo de força por parte dele.

16. Primeira vez que a “ATM – Administração do trânsito do metrô” faz uma ponta em uma das histórias do UCM baseadas em Nova Iorque. A ATM está no seriado no papel de vilã (acobertando um motorista bêbado), fazendo Jessica Jones a propriedade do UCM mais novaiorquina que existe.

17. Primeira super-heroína freelancer. O fato que qualquer um dos super-heróis do UCM possua qualquer tipo de balanço entre vida-trabalho deve-se ao fato de que eles transformam a rotina de vigilante em trabalhos remunerados, seja trabalhando nas indústrias Stark ou na S.H.I.E.L.D ou em pequenas firmas de advocacia. A cena da Jéssica perturbando a Jeri a respeito de um pagamento? Muito real.

18. Primeira vez que um super-herói matou um vilão com as próprias mãos. Sem trabalho. Sem alarde.

19. Primeiro apartamento fuleiro. Ok, ele é bem espaçoso para uma freelancer que mora em Hell’s Kitchen e não tem pessoas com quem divide o local. Mas o apartamento ainda possui todas as rachaduras e manchas de um legítimo apartamento fuleiro de Nova Iorque, o qual contrasta bastante com o apartamento que Kilgrave rouba e ocupa.

20. Primeira vez que um super-herói da Marvel tira selfies. Jéssica usa bastante o telefone, quando comparada com outras propriedades da Marvel (apesar do Capitão receber SMS da Viúva Negra em “Capitão América: O Soldado Invernal”). Em um determinado ponto da série, ela começa a mandar selfies para Kilgrave. Super-heróis geralmente têm fotos tiradas deles. Antes que alguém fale do Homem-Aranha, uma fotografia não conta como selfie se você tem que por o timer na câmera.

Fonte: Vulture.

Contribuição com a tradução: José Ribamar Marçal Martins Jr..

[ATUALIZADO] Saiu 1º trailer legendado de “Capitão América: Guerra Civil”!

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Ontem (24), Robert Downey Jr. e Chris Evans estiveram no programa do Jimmy Fallon e divulgaram o 1º trailer do filme “Capitão América: Guerra Civil”. Ei-lo legendado:

O vídeo tá eletrizante e mostra o Homem de Ferro caçando o Soldado Invernal (Sebastian Stan) por seus crimes (cometidos em “Capitão América: O Soldado Invernal”, 2014). O foco vai ser entre o duelo das equipes do Capitão América e do Homem de Ferro, que desta estarão em lados opostos. Falcão (Anthony Mackie) e Bucky Barnes/Soldado Invernal também ganharam bastante destaque. No vídeo vemos rapidamente a 1ª aparição do Pantera Negra (Chadwick Boseman) e também teremos o retorno de Scott Lang/Homem-Formiga (Paul Rudd). E o que é a cena final do vídeo, hein? Demais!

“Capitão América: Guerra Civil”, dirigido pelos irmãos Russo, estreia nos cinemas em 05 de maio de 2016.

[Atualizado] Também foram divulgados dois pôsteres para o filme:

poster 1

poster 2

URGENTE! Trailers!

zootopia

Um post rapidinho só para divulgar dois trailers que saíram hoje.

O primeiro é o trailer final* de “Legends of Tomorrow”, série da Warner derivada de “Arrow” e “Flash” que vai reunir uma equipe de heróis e vilões que tentarão mudar o futuro onde o vilão e imortal Vandal Savage dominou o mundo.

A equipe vai contar com Átomo (Brandon Routh), Canário Branco (Caity Lotz), Mulher-Gavião (Ciara Renee),  Gavião Negro (Peter Francis James), Capitão Frio (Wentworth Miller), Onda Térmica (Dominic Purcell) entre outros. “Legends of Tomorrow” estreia em 21 de janeiro de 2016 nos EUA.

O outro trailer é o 1º da animação “Zootopia”, da Disney. Tá bem engraçado.

“Zootopia” estreia 18 de fevereiro de 2016 nos cinemas.

*P.S.: Assim que tivermos um trailer legendado, atualizo aqui.

Contos de Segunda – A Assembleia dos Deuses

Contos de Segunda

Conforme prometido, segue o conto inédito “A Assembleia dos Deuses”:

O ano é 2015. Bem acima do Monte Olimpo, uma montanha com 2917 metros que fica no território da Grécia, está um lugar que nenhum humano consegue ver, um lugar tão lindo e tão exuberante que, se uma mente mortal pudesse vê-lo, o descreveria como sendo o próprio paraíso que muitas religiões pregam.
Neste lugar, que é uma porção de terra suspensa ou uma ilha flutuante, se encontra um imenso jardim, com árvores, flores, animais de adorno, fontes e cascatas, e nesse jardim há um majestoso palácio branco com colunas jônicas. Na imensa porta principal deste palácio, há uma movimentação de pessoas (não propriamente humanas) entrando e saindo; alguns são soldados, vestidos de armaduras de bronze e empunhando escudos e lanças; outros são apenas servos do edifício, vestindo simples togas brancas e calçando sandálias, em sua maioria mulheres. No interior do palácio, dentre os muitos cômodos do lugar, há uma salão com uma enorme mesa circular de mármore claro, e neste momento, ao redor dela, se encontram sentadas alguns executivos notadamente de culturas diferentes, todos bem vestidos. Eis que adentra o recinto um imponente senhor corpulento, de longas madeixas e barbas grisalhas, usando um terno azul e acompanhado por dois bonitos jovens, uma moça e um rapaz, ambos loiros.
– Boa tarde, senhores. – ele diz.
– Boa tarde! – os outros cavalheiros respondem em uníssono.

Este mesmo senhor se senta na cadeira mais próxima da porta, e a moça que veio com ele, deixa algumas pastas na mesa em frente a ele e pergunta:

– Deseja mais alguma coisa, Sr. Zeus?

– Não, Hebe, apenas que as serviçais nos tragam os petiscos e o vinho.

Ela acena com a cabeça, faz uma mesura e sai da sala. Ao lado de Zeus, o rapaz continua de pé, segurando alguns papéis.

Um homem com a cabeça completamente raspada e de pele bronzeada, sentado ao lado direito de Zeus, indaga:

– Então, Zeus, quais são as pautas da reunião de hoje?

– Meu bom Osiris, pensei em começarmos pela questão da Síria. – ele respondeu.

– O Estado Islâmico já recebeu mais um carregamento de nossas armas conforme prometido na semana passada? – indagou um homem de olhos grandes e pele levemente azulada, sentado ao lado esquerdo de Zeus.

– Sim, Vishnu. – respondeu Osiris.

– Os sírios não podem mais abandonar seu país assim. A Europa se tornará um caos. E a própria Síria mergulhará na miséria sem mão de obra. – questionou Vishnu.

– OK, senhores, sabemos que essa questão é complicada. Vamos passar para o próximo assunto. – disse Zeus, enquanto as serviçais, mulheres de diferentes etnias, carregavam comidas e bebidas e serviam os executivos.

– Estive pensando… – começou o homem aparentemente mais experiente na sala, de cabelos e barbas brancas e com uma enorme cicatriz no olho esquerdo – que está na hora de deliberarmos uma catástrofe natural de grandes porporções num país cristão…

– Pode ser o Brasil. – sugeriu Vishnu.

– Ou o México. – disse um senhor de aparência indígena que portava uma pena na cabeça.

– Sim, Tezcatlipoca, para que a fé deles seja abalada e assim, nossas ações tenham uma alta.

Todos aprovaram com um murmúrio.

– Concordamos com você, Odin. Você se encarrega disso. – disse Zeus.

– Por falar em ações – emendou Vishnu – precisamos lidar com a ameaça econômica da China.

– Pode deixar comigo. – respondeu um homem austero, de aparência árabe e terno branco, que estava sentado do lado oposto ao de Zeus.

– Adoro seus métodos, Enlil. – falou Zeus, com um sorriso de canto de boca. – Me surpreenda dessa vez!

Enlil riu baixinho e fechou a pasta que estava à sua frente sobre a mesa.

– Ganimedes, onde estão aqueles gráficos que lhe pedi? – inquirou o Pai dos deuses gregos ao rapaz que estava de pé ao seu lado.

– Aqui, senhor. – e lhe entrega um par de folhas.

– Como está o vinho, senhores? – Zeus indaga, girando os olhos a todos na mesa.

– Está divino! – responde Odin. Todos riem.

[Resenha] Jessica Jones

Jessica Jones

Depois do sucesso de “Daredevil” na primeira parceira Marvel/Netflix (e as filmagens da 2ª temporada já estão rolando), e depois de sete meses de espera, foi lançada na última sexta-feira, dia 20, “Jessica Jones”, baseada na HQ “Alias” (2001), de Brian Michael BendisMichael Gaydos, e parte do “projeto Defensores”, com quatro heróis (Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro) que desembocarão na série “Defenders”.

O diferencial dessa série é que 1º) Jessica Jones (magistralmente interpretada por Krysten Ritter) é mulher, sendo a 1ª heroína da Marvel a ter série própria no Netflix (lembrando que a primeira de todas foi “Agent Carter”, pela ABC, neste ano); 2º) ela é uma ex-super-heroína, que desistiu da vida de combate ao crime depois que sua vida foi transformada num inferno pelo vilão Homem-Púrpura (aqui interpretado pelo ex-Doctor Who David Tennant); 3º) ela não é esperta (apesar de ser uma detetive particular e saber ao menos ligar os pontos) nem tão poderosa assim, e falha, um verdadeiro ser humano até os ossos, colocando o público mais perto da personagem.
É possível considerar “Jessica Jones” uma série feminista? Até certo ponto, sim, pois o personagens mais marcantes são mulheres: temos Jessica, temos Patsy Walker (Rachael Taylor), irmã adotiva de Jessica que é uma radialista de sucesso e ex-ídolo adolescente (e que nos quadrinhos também é conhecida como a heroína e ex-vingadora Felina), temos a advogada Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss arrasando também), que é lésbica e bem mau-caráter, viu.

Jessica encarando seu arqui-inimigo Kilgrave.

Jessica encarando seu arqui-inimigo Kilgrave.

E o David Tennant está demais! Apesar de o personagem dele ser desprezível, o talento do ator se supera, e me fez ser ainda mais fã dele. Quando aparecia alguma luz roxa ou levemente parecida com roxo numa cena, eu já ficava tenso haha. Outras coisas legais foram as participações de Luke Cage (Mike Colter), que se envolveu intimamente com Jessica (lembrando que eles são casados e têm uma filha nos quadrinhos) e fico imaginando como será o tom e a trama de sua própria série (a estrear ano que vem), e da Claire Temple (Rosario Dawson) – ou a Enfermeira Noturna -, que vem de “Daredevil” e interligou as duas séries no mesmo universo (os acontecimentos do filme “Os Vingadores” também são citados, unindo assim, ao Universo Cinematográfico Marvel), a introdução do vilão Bazuca (e criando pano pra manga para a trama da 2ª temporada talvez?)…
Só não gostei que a trama do Kilgrave foi muita longa, se arrastando pelos 13 episódios. Eu acho que ela deveria ter pego e acabado com o vilão em, sei lá, 8 episódios, sobrando tempo para ela enfrentar a organização que criou o Bazuca. Mas enfim, a série é boa e até mais divertida que a do Demolidor, cheia de surpresas e cenas marcantes.

Torçamos para que a série faça um sucesso estrondoso para que a Netflix, em companhia da Marvel, continue com seus projetos de super-heróis e que abram espaço para mais heroínas também (como eu disse no post da Supergirl), e que “Jessica Jones” retorne numa 2ª temporada antes ou até mesmo depois de “Defenders”.

Título original: “Jessica Jones”.
Ano de estreia: 2015.
Criado por: Melissa Rosenberg.
Elenco: Krysten Ritter, Rachael Taylor, David Tennant, Carrie-Anne Moss.
Duração: 13 episódios de +/- 52 minutos cada.
Nota: 9.

lixo

– Aqui de boas pensando na vida.

[Resenha] Final Fantasy III (Steam)

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Depois de quase dois meses jogando somente aos finais de semana, zerei “Final Fantasy III”, remake para DS disponível desde o ano passado no Steam (já falei dele aqui).
FFIII era o único que eu ainda não havia terminado dos 10 primeiros capítulos da saga de RPG mais famosa da Square-Enix (zerei FFI, II, IV e V, remakes para GameBoy Advance, o VI para SNES, VII, VIII e VIX para PlayStation, e X para PS2). Segue cena de abertura:

FFIII, assim como seus antecessores, ainda tem aquela vibe dos 4 cristais elementais que mantêm o balanço do mundo, e os 4 Warriors of Light, escolhidos para protegê-los de algum vilão das trevas que quer destruí-los, cada cristal concede um grupo de classes para os personagens etc, e o carinhas deste capítulo são Luneth, seu melhor amigo Arc, Refia, a filha do ferreiro do vilarejo vizinho, e Ingus, o cavalheiro de Sasune. Os quatro são órfãos e mais tarde na trama, descobrem que, além de serem escolhidos pelos cristais para serem os Warriors of Light, possuem uma ligação.
Segue a lista de classes disponíveis no game:

classes

As classes com as quais mais joguei durante o jogo foram Luneth como Dragoon, Arc como Geomancer, Refia como Red Mage e Ingus como Thief, e as que usei para zerar o game foram Luneth como Ninja, Arc como Summoner, Refia como Sage e Ingus como Black Belt.
É uma pena que Summoner só fica disponível bem na reta final do game, pois é bem poderoso, apesar de o Evoker ser disponibilizado antes, mas ele é bem fraquinho. Outra coisa que senti falta é o fato de o item Phoenix Down (ressuscita um personagem caído em batalha) não ser vendido em lojas como em outros FFs, sendo encontrados apenas em baús, tornando um item tão necessário bem raro, e também faz falta um item como Ether, para recuperar MP (Magic Points, usados pelas magias). Em batalhas, isso só é possível usando Elixir, raro e poderoso.
Veja todos os Summons no vídeo abaixo:

Final Fantasy III é um jogo com gráfico bonito (lembra um pouco FFIX, para PS), com uma história boa e sistema interessante, porém curto (zerei em 26 horas), mas com quests adicionais após o término da história principal. E tá baratinho no Steam.

Fonte: Final Fantasy Wikia.

[Resenha] Adele – 25

Adele - 25

A ser lançado oficialmente amanhã (mas já vazado antes na internet) o álbum “25”, o 3º da carreira de Adele, muito aguardado desde que ela lançou o primeiro single, “Hello”, no mês passado, com direito a clipe e que teve grande recepção e boas críticas.
Apesar de ter achado o álbum bom no modo geral, achei algumas meio parecidas entre si e em comparação com seus trabalhos anteriores. Das músicas que se sobressaem, confesso que achei ótimas a baladinha “Send My Love (To Your New Lover)”, a emocionante “Remedy”, a retrozinha com cara de anos 80 “Water Under The Bridge”, “All I Ask” que é um tiro, “Sweet Devotion”, obviamente “Hello” e, a mais sensacional de todas e que está emoldurada no meu coração, que ela interpreta ao vivo neste vídeo:

Infelizmente, acabo de receber a notícia aqui (via Entertainment Weekly) de que “25” não estará na íntegra no Spotify e na Apple Music, pelo menos por enquanto. Por favor, Adele, não faça a Taylor Swift! 😥

Pra quem ainda não assistiu, fique agora com o clipe lançado para o “25” até então e vamos todos cantar abraçados e com os olhos mareados!

Contos de Segunda – A viúva e a sacerdotisa

Contos de Segunda

Tenho duas notícias: uma ruim e uma boa. A ruim é que me esqueci completamente que tinha que escrever um conto hoje, então infelizmente aqui vai outro do finado blog Conte Conosco. A boa é que, em breve, teremos a colaboração de mais dois autores no URUK. Rebeca Schutz e Michel Souza, meus parceiros de Conte Conosco e Blablaísmo, que também escreverão contos aqui nas segundas e, espero, contribuam com outros assuntos noutros dias da semana.
Bom, é isso. O conto de hoje é “A viúva e a sacerdotisa”:

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Teresa sentia muita falta de seu marido falecido. Pensava nele todos os dias, nos primeiros minutos da manhã, logo após se levantar da cama; enquanto fazia o almoço e se sentava na mesa pra comer; quando ia à feira; quando assistia a novela; e quando se ajoelhava na beira da cama na hora de rezar.
Karina era uma famosa vidente da cidade grande e há dias viam-se cartazes colados pelo vilarejo anunciando sua chegada. E hoje ela finalmente chegou, com sua tenda púrpura, adornada por cristais e espelhos. Já se formava uma fila que se estendia por meio quarteirão de pessoas querendo consultá-la. Teresa ouviu falar que ela lia o passado e o futuro, e que sabia sortilégios poderosos para trazer diversos tipos de benefícios, todos com preços altíssimos. Depois de duas horas na fila, enfrentando sol e o furor das outras pessoas que contavam causos e especulavam o que Karina teria a lhes dizer, chegou a vez da viúva Teresa ser atendida. Dentro da tenda, ela viu a vidente cercada de diversos artefatos místicos e esotéricos, e não conhecia metade daquilo. O ar ali era denso e opaco, devido ao insenso. Uma vez sentada na mesinha circular que ficava no fundo da tenda, Teresa ouviu a voz doce de Karina:
– É a sua primeira vez, querida?
– Sim. – respondeu, encabulada.
– E o que você procura?
– Quero saber como está seu marido.
– Por que? Vocês se separaram?
Teresa se sentiu ultrajada e, de olhos arregalados, cara amarrada e tom de voz nada amistoso, respondeu: Claro que não! Ele morreu há três anos, na guerra.
– Quem lhe contou isso? O Oswaldo? Oswaldo Gomes da Silva?
Teresa mudou a expressão, agora espantada.
– Ele está bem vivo, querida. Vive numa cidadezinha no interior de Minas, está casado de novo e tem uma filhinha linda.
A viúva ergue-se da cadeira, pôs as mãos sobre a mesinha e bravejou:
– Isso é impossível! Uma mentira! Meu marido jamais faria uma coisa dessas comigo! E como você sabe o nome dele?
– Eu sou a vidente aqui, esqueceu?
Teresa deu meia volta e saiu correndo dali, limpando as lágrimas do rosto.
– Ei! Volte aqui! Você me deve R$ 50!
Na saída da tenda, a viúva foi pega por dois brutamontes que trabalhavam pra vidente e, por consequência, levada à delegacia. O delegado não poderia deixar que a reputação do vilarejo fosse manchado desse jeito perante à uma atração nacional que era a vidente Karina. E Teresa foi presa, pois estava desolada e não quis pagar para aquela mulher que lhe trouxe tal infortúnio.
E Oswaldo? Estava vivo mesmo, e casado com Selma, uma mulher que se apaixonou pelo cabra casado durante a guerra e, como ele era fiel, recorreu a um dos sortilégios de Karina para fazê-lo amá-la incondicionalmente. E foi Selma quem mandou um mensageiro pra casa de Teresa três anos atrás para avisá-la da “morte” do esposo. Selma era rica e costumava ter tudo o que queria, e quando não tinha por mérito próprio, comprava.
Um dia, Karina voltou e reencontrou Selma, e disse a ela que conheceu Teresa e todo aquele drama.
– Bem feito praquela vaca! Ninguém mandou ela ser sonsa e perder o homem dela pra mim.
– Mas ela não perdeu, foi roubada.
– Como ousa me difamar, sua bruxa? Eu paguei – e bem – pelos seus serviços ou não? Quer mais dinheiro? É isso, sua golpista?
– Não, eu só quero mostrar a você que tudo que vai nessa vida, volta. – disse Karina, e foi embora.
Naquela mesma noite Selma morreu engasgada com uma casca de pão. Oswaldo acordou do feitiço e, ensandecido, fugiu da cidade. A filhinha dos dois foi abandonada e levada para um orfanato.
Ao chegar no seu lugar de origem, bateu na porta da casa de Teresa e não foi atendido. Uma vizinha nova, que não chegou a conhecer o homem, disse-lhe:
– A Teresa não mora mais aí, moço. Ela foi embora do vilarejo com o novo namorado.
– N… Novo namorado!? – ele perguntou, incrédulo. E, olhando pro chão, tropeçando, lentamente, vagou incerto até à praça.
Karina estava certa: nessa vida, o que vai, volta.